DISFUNÇÃO ERÉTIL É REVERSÍVEL EM QUASE TODOS OS CASOS

Disfunção erétil é reversível em quase todos os casos

Para tirar dúvidas sobre este problema, a Sociedade Brasileira de Urologia criou um site onde os homens podem fazer testes e se informarem melhor

Apesar de ser ainda considerado um assunto tabu, a disfunção erétil, mais conhecida como impotência sexual, pode estar relacionada a outras doenças, como diabetes, doenças cardiovasculares e alterações hormonais. Segundo a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), 50% dos homens com mais de 40 anos, em algum grau, sofrem deste problema.

Aproveitando a campanha Novembro Azul, que acentua a importância dos cuidados com a saúde masculina, a SBU ressalta que praticamente todos os casos de impotência são reversíveis, mas é preciso buscar ajuda. “A maior parte dos casos em sua totalidade, tem um tratamento. Existem várias linhas de procedimentos e o paciente consegue melhorar a qualidade da ereção”, explicou André Cavalcanti, presidente da seccional da SBU no Rio de Janeiro.

Para Cavalcanti, geralmente a disfunção erétil em jovens costuma ter fundo psicológico, e pode ser tratada com terapia. Mas quando o problema é fisiológico, existem outras alternativas.

Segundo a SBU, um dos mais conhecidos são os medicamentos orais, normalmente recomendados para a fase inicial de tratamento. As quatro substâncias autorizadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária atuam na melhoria do fluxo de sangue para o pênis e apresentam taxas de sucesso (ereções suficientes para penetração) que variam de 56% a 84%. Apesar disso, não funcionem para até 30% dos homens.

Nesta fase inicial, ainda há a alternativa de aplicar supositórios diretamente no canal da uretra. A medicação é absorvida e promove a ereção em 20 minutos. Menos invasivos que as injeções penianas, os supositórios oferecem resposta satisfatória de 30% a 40%.

Como segunda linha de tratamento, caso os anteriores não sejam indicados ou não funcionem, existem os medicamentos injetáveis. O próprio paciente aplica a injeção no pênis para estimular a ereção. Para os pacientes sem sucesso com as terapias clínicas e para quem tem disfunção erétil irreversível, a cirurgia de implante de prótese peniana pode ser a saída. O grau de satisfação chega a 97% e vem sendo cada vez mais utilizada no mundo.

Na avaliação de Cavalcanti, aos poucos a sociedade está se abrindo para este assunto. Para tirar dúvidas sobre este problema, a SBU criou um site onde os homens podem fazer testes e se informarem melhor.

Tratamentos variados, eficazes e acessíveis diminuem fantasma da disfunção erétil

Metade dos homens na faixa etária entre 40 e 70 anos sofre de algum grau do problema

O tema é tabu e constrange homens Brasil afora. A disfunção erétil é um estigma, principalmente, por que o preconceito e o silêncio são alimentados diariamente justamente por quem é o alvo do problema: o homem. Cada piadinha de mesa de bar, risadinha de corredor e tentativa de vender uma imagem superpoderosa significam atraso na resolução de um mal que afeta milhões de homens e que tem, não apenas solução, mas opções variadas de tratamento. O primeiro passo para superar esse paradigma é tratar com naturalidade uma questão de saúde a que todos estão sujeitos, façam pose de machão ou não.

Números utilizados pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) como referência da incidência da doença mostram que metade dos homens na faixa etária entre 40 e 70 anos sofre de algum grau de disfunção erétil - leve, moderada ou severa. Segundo o chefe do departamento de Andrologia da SBU, Dr. Geraldo Eduardo Faria, um estudo da Massachusetts Male Aging Study (MMAS), realizado nos Estados Unidos, mostrou uma incidência de 52% e os estudos brasileiros encontram valores semelhantes.

Faria diz que as causas psicológicas são mais frequentes nos indivíduos jovens e correspondem a cerca de 80% dos casos. “No entanto, mesmo nos casos de disfunção erétil de causa orgânica, via de regra encontramos a associação de um componente emocional em razão do trauma psicológico desencadeado pela doença”, diz.

História de sucesso
“Foi através de uma pessoa que divulgou a experiência na internet que tive coragem de fazer a cirurgia peniana. Do mesmo jeito que fui beneficiado, quero ajudar outras pessoas também”. O depoimento é de Adelmo*, 54 anos, casado e duas filhas. Em 2010, ele fez a retirada total da próstata e desenvolveu a disfunção erétil. “Tentei tratamento via oral, mas o resultado foi insatisfatório”. Ele detalha e diz que a qualidade da ereção alcançada era pouca e exemplifica: “se num organismo normal a ereção é 100%, eu conseguia 40%. Além disso, a duração não ultrapassava 15 minutos e vinha a frustração. Eu começava a penetração e o pênis murchava”, explica.

Dois mil e doze entrou e Adelmo decidiu virar a página. “Sou muito novo, preciso de uma reposta”, pensou. Em conversa com a companheira veio o apoio que faltava e ele procurou a ajuda de um especialista. Há 40 dias realizou o procedimento cirúrgico. “São 24 horas de internação. A recuperação é um pouco dolorida no início, quando os pontos estão mais ativos, mas imagino que isso deve variar de acordo com o organismo”, diz. Ele recomenda que o paciente escolha um profissional competente porque a cirurgia é delicada. São 10 dias de repouso e, no início, o órgão sexual tem que ficar totalmente ereto, segundo ele.

Adelmo optou pela prótese maleável, que pode ser dobrada e tem uma facilidade de ocultação maior. “É tranquilo, visualmente não agride ou constrange ninguém, mas a visão que se tem é de um homem com pênis grande”. Ele diz que ainda não usou calção de banho. “Vou escolher um mais folgado e não poderei usar sunga”, diz. Outro ponto que faz questão de compartilhar é sobre o tamanho do pênis. “O tamanho é 90% do que era antes”.

Mesmo sem ter tido a primeira relação sexual pós-cirurgia - Adelmo estará liberado daqui a 10 dias – ele já sente os benefícios. “A satisfação psicológica é interessantíssima. A gente volta a ser adolescente de novo”, afirma. Sobre a expectativa para a “primeira noite”, brinca: “não vejo a hora, já tá no ponto de bala”.

O plano de saúde só pagou a internação de Adelmo. Isso por que ele quis escolher a prótese de maior qualidade disponível no mercado. “Eles vão me reembolsar o valor do preço mínimo de uma prótese”, explica.

Minas Gerais é referência no tratamento
Marcelo Salim é médico-urologista há 25 anos. Ele faz parte da Sociedade Brasileira de Urologia e Sociedade Americana de Urologia e é referência no Brasil em cirurgia peniana. “Esse mês, operei homens de Recife, Brasília e Manaus”, conta. O especialista explica que, apesar de o trabalho da medicina mineira não estampar manchetes em revistas, é divulgado pelo próprio paciente. “Tratar em Minas significa sucesso com um custo mais barato”, afirma.

Se não é seu paciente mais famoso, tem grandes chances de ser o mais polêmico. No ano passado, o jornalista esportivo Jorge Kajuru declarou em entrevista a uma revista de circulação nacional que se submeteu ao procedimento na capital mineira e está “vinte e quatro horas à disposição”. Salim explica que é uma opção dele já que a prótese é dobrável e fácil de ser ocultada. A coincidência aqui é que foi o depoimento de Kajuru o empurrão que Adelmo procurava.

A cirurgia peniana é o último recurso para tratar a disfunção erétil e o especialista afirma, por exemplo, que mais de 50% das queixas têm boas respostas ao uso de medicação. Ele explica ainda que o termo impotência sexual não é adequado. Para o indivíduo ser considerado impotente, precisaria manifestar disfunção erétil permanente.

E se existe uma “receita” para se prevenir o distúrbio, ela é simples: “manter uma boa saúde sexual significa manter vida saudável”, declara Salim. O médico ressalta ainda que para se evitar a disfunção erétil de causa psicológica é necessário que homem tenha uma boa iniciação sexual, “que estabeleça sua primeira relação quando estiver realmente preparado para isso e não encaminhado “à força” para satisfazer aos colegas”, salienta.

A seguir, leia a entrevista completa com o especialista Marcelo Salim:

Saúde Plena: O termo impotência sexual é adequado para tratar das dificuldades de ereção?

Marcelo Salim: O termo não é adequado, o mais adequado é disfunção erétil. A disfunção erétil é a dificuldade em obter ou manter um endurecimento do pênis suficiente para penetração na relação. É importante a citação de ‘manter’ porque alguns homens acreditam que obtendo a ereção, mas não tendo a capacidade de mantê-la, tem outro problema, o que na verdade também é disfunção erétil.

SP: Quais os tipos de disfunção erétil mais comuns?

MS: A disfunção erétil pode ter causa psicogênica ou orgânica. Os pacientes mais novos geralmente têm causas psicogênicas, ou seja, de fundo emocional. Já nos pacientes acima de 40 anos as causas tendem a ser de fundo orgânico. Algumas doenças estão relacionadas ao aparecimento da disfunção erétil, como diabetes, doenças pulmonares, tratamento da hipertensão arterial, radioterapia pélvica, alterações hormonais e cirurgia radical da próstata.

SP: Quais são os comportamentos preventivos para uma boa saúde sexual?

MS: Para que o homem não tenha um desenvolver sexual com comprometimento psicogênico é preciso que ele seja orientado na adolescência e que estabeleça sua primeira relação quando estiver realmente preparado para isso e não encaminhado “à força” para satisfazer aos colegas. Esse tipo de iniciação pode trazer sérios problemas futuros.

Manter uma boa saúde sexual significa manter vida saudável. A medicina hoje sabe claramente que a disfunção erétil não é, na maioria das vezes, uma doença ligada diretamente ao pênis. Assim, vida saudável, controle da pressão arterial, da alimentação e do peso, evitar cigarro, abuso de bebidas alcoólicas, manter um sono regular trazem boa saúde e em conseqüência boa atividade sexual.

SP: Os medicamentos para impotência resolveram quantos por cento dos problemas de ereção?

MS: Com o aparecimento dos medicamentos específicos para o tratamento de ereção houve uma revolução na resposta do tratamento. Mais de 50% das queixas têm boas respostas ao uso dessa medicação.

SP: O quanto ainda é tabu a busca por tratamento de impotência sexual? Tem melhorado a forma como os homens e as mulheres lidam com a questão?

MS: Disfunção erétil ainda é um tabu, muitos homens ainda ficam envergonhados ao tratarem desse assunto e muitas vezes, na consulta, tratam de outros temas, e nós, médicos temos que - nas entrelinhas - detectar a verdadeira motivação da consulta. Interessante é dizer que quando se esclarece o problema e encontra a solução a felicidade fica estampada e a inibição desaparece.

SP: Como a companheira ou companheiro – no caso de casais homossexuais - pode ajudar?

MS: É importante que o parceiro(a) seja paciente, não traga inibição, seja participativo e dê estímulo.

SP: Atualmente, quais as opções de formas de tratamento da disfunção erétil?

MS: A disfunção erétil tem o tratamento de acordo com a sua causa, mas de uma maneira esquemática podemos dizer que o tratamento passa pelas seguintes fases: verificação do estado emocional psicológico, ajustes hormonais, tratamento com drogas orais específicas para ereção, drogas injetáveis e implante de prótese peniana.

A cirurgia para disfunção erétil é a ultima opção terapêutica e consiste no implante de prótese dentro das suas variedades de modelos.

SP: Qual a eficácia do procedimento cirúrgico? Por quantos anos ele é eficaz?

MS: A cirurgia para o implante de prótese peniana tem duração média de 1h30min, é um procedimento eficaz com resolução da disfunção erétil em 100% e em definitivo. Em raríssimos casos, faz-se a troca da prótese.

SP: Quando a cirurgia é contra-indicada?

MS: A contra-indicação é a mesma para todos os outros tipos de cirurgia, por exemplo, um fator que impeça uma anestesia.

SP: Mas e nos casos de pacientes com câncer de próstata?

MS: A retirada da próstata não implica em disfunção erétil. Hoje em dia, em torno de 20% dos pacientes submetidos a prostatectomia radical – ou retirada total da próstata - podem desenvolver o problema. A incidência já foi bem maior. O importante é ressaltar que os pacientes se recuperam naturalmente e espontaneamente. Eu não recomendo o procedimento cirúrgico antes de um ano pós-cirurgia do câncer porque, muitas vezes, essa alteração do nervo melhora com o tempo. E lembrando que há outras alternativas terapêuticas antes de se decidir pela prótese peniana.

SP: Os planos de saúde cobrem a cirurgia? Qual o preço?

MS: Muitas vezes o procedimento é coberto pelos planos de saúde. A prótese de implante peniana está enquadrada na tabela do Sistema Único de Saúde (SUS), que também cobre a cirurgia, mas os hospitais não têm a prótese disponível.

SP: O jornalista Jorge Kajuru em entrevista a uma revista de circulação nacional contou que fez a cirurgia em Belo Horizonte com o Senhor e afirma que o pênis dele fica ereto 24 horas por dia. Isso é uma opção do paciente?

MS: Sim, é uma opção de modelo de prótese peniana. Vale citar que essas próteses podem também permanecer em outras posições.

SP: Quais os tipos de prótese?

MS: Existem dois tipos de prótese, mas de inúmeras qualidades. Existe uma que é maleável (ou semirrígida). Ela é dobrável. É nesse item que entra a diferenciação de uma prótese de melhor ou pior qualidade.

A prótese semirrígida pode deixar o pênis em posição erétil o tempo todo, se for a opção do homem, mas ela se dobra como se fosse um dedo. Existe um modelo, com anéis ao longo da prótese, que dá uma ocultação perfeita e fica imperceptível. Quanto pior a qualidade, mais difícil é a ocultação.

Outro tipo é a inflável, uma bolsinha que fica dentro da bolsa escrotal. Uma válvula comanda a prótese. Quando o homem for ter uma relação sexual ele aperta essa válvula. Ao final, é só apertar de novo que o pênis volta a ficar amolecido.

SP: Qual o preço da cirurgia peniana?

MS: Varia muito. Com a prótese mais simples, o procedimento fica em R$ 6 mil. A cirurgia com a mais sofisticada fica em R$ 80 mil.

*Se você ainda tem dúvidas sobre a cirurgia peniana, mande um e-mail para saudeplenauai@gmail.com que o Adelmo se dispôs a ajudar.

Usada corretamente, reposição de testosterona trata disfunção erétil e falta de libido

Terapia para resolver os problemas depende de acompanhamento médico. A infertilidade é uma das consequências de falhas no tratamento

 A reposição de testosterona é a solução para muitos problemas, desde que feita corretamente. Homens que buscam o medicamento nesse sentido sem orientação médica — para melhorar a libido ou aumentar a massa muscular, por exemplo — ou mesmo aqueles diagnosticados com baixa produção do hormônio que seguem o tratamento sem os devidos cuidados estão sujeitos a sofrer graves consequências. O excesso do hormônio no corpo pode interferir na fertilidade masculina, às vezes de maneira irreversível.

A queda da produção de testosterona faz parte do processo de envelhecimento. É normal que o nível caia anualmente 1% a partir dos 40 anos. “O homem nos procura reclamando de falta de libido e da dificuldade de ereção, mas, se a redução estiver dentro do previsto, não adianta receitar hormônio porque não haverá melhora”, destaca o diretor da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem) e professor de Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Alexandre Hohl. Diabetes, pressão alta e obesidade podem influenciar o apetite sexual, assim como problemas de relacionamento.

Para indicar a reposição de testosterona, deve-se chegar ao diagnóstico de hipogonadismo (baixa produção do hormônio), considerando o resultado de exames laboratoriais e as queixas do paciente. Há relatos mais raros de homens que, além da queda da libido e da disfunção erétil, sofrem com desânimo, cansaço excessivo, piora do sono, perda de massa muscular e de pelos corpóreos, problemas de memória, alteração de humor, fragilidade óssea e depósito de gordura no abdômen. “Em pacientes com mais de 40 anos, temos que excluir problemas de próstata antes de começar a reposição hormonal porque o tratamento acelera a evolução de doenças malignas ou benignas”, alerta Hohl.

Os homens saudáveis, principalmente os que ainda planejam ter filhos, devem evitar a ingestão indevida de testosterona. “Quando você ingere o hormônio sem necessidade, bloqueia a hipófise, glândula essencial para a produção de espermatozoides. Nos casos em que se usa por muito tempo, a infertilidade pode não ser reversível”, alerta o diretor da Sbem. Hohl adianta, inclusive, que o hormônio vem sendo estudado como anticoncepcional masculino.

O especialista em reprodução humana assistida Paulo Gallo, diretor do Centro de Fertilidade da Rede D’Or Vida, conta que são comuns os casos de pacientes que chegam ao consultório com a produção de espermatozoides zerada devido ao uso inadequado da reposição de testosterona. A infertilidade é constatada por meio do espermograma, exame que avalia número, mobilidade e morfologia das células reprodutoras masculinas. “O comprometimento (da reposição de testosterona) pode ser tão intenso a ponto de chegar à azoospermia, ausência total de espermatozoides”, alerta. Só neste ano, Gallo atendeu dois pacientes que tentavam ser pais e se descobriram totalmente estéreis por esse motivo.

Obrigatória
Geralmente, a infertilidade é revertida com a suspensão do medicamento, mas não imediatamente. “Demora de seis meses a um ano para obter uma resposta, pois cada ciclo de espermatogênese (produção de espermatozoide) dura aproximadamente três meses”, explica Reginaldo Martello, chefe do Departamento de Reprodução Humana da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) e andrologista do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Nos casos em que a baixa produção de células reprodutoras masculinas persiste, Martello sugere técnicas de reprodução assistida como inseminação artificial e fertilização in vitro.

Há casos, porém, em que a suspensão do medicamento não pode ser obedecida, como em jovens que precisam ser tratados com medicamentos à base de testosterona pelo fato dos testículos ou da hipófise não trabalharem adequadamente. Pessoas com a síndrome de Klinefelter normalmente são estéreis porque não produzem espermatozoides. Chefe do Departamento de Reprodução Humana da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) e andrologista do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Reginaldo Martello acrescenta dois exemplos: “O vírus da caxumba pode atacar os testículos de maneira agressiva, levando a um hipogonadismo grave. Pacientes que perderam os testículos também precisam fazer a reposição hormonal, na maioria das vezes, pelo resto da vida.”

Martello informa que, quando o homem está com a intenção de ter filhos, a alternativa é indicar tratamentos que não interfiram na produção de espermatozoides. Utiliza-se, por exemplo, uma substância administrada em comprimido ou uma injeção que estimula a hipófise e os testículos a produzirem simultaneamente espermatozoide e testosterona. “É o mesmo medicamento indutor da ovulação na mulher. Ele estimula de maneira indireta o aumento da testoterona endógena sem prejudicar a produção de espermatozoides, mas nem sempre é eficaz”, esclarece o médico da SBU.

Em três formatos
Existem no Brasil três tipos de tratamento. O mais antigo são as injeções aplicadas mensalmente, que repõem a testosterona, mas não de maneira fisiológica. Isso porque o hormônio aumenta muito rapidamente, acima do normal, e também abaixa em pouco tempo, levando desconforto ao paciente. Apesar de ser mais cara, a aplicação trimestral resolve o problema do efeito “enche e esvazia”, pois as taxas do hormônio se mantêm estáveis por três meses. Mais recentemente, chegou ao país um gel que deve ser aplicado todos os dias nas axilas. É considerado o método mais próximo do processo natural.

Múltiplas funções
- A testosterona é um hormônio sexual masculino produzido em grande quantidade no homem e em pequena quantidade na mulher
- Dentro da barriga da mãe, enquanto o bebê se forma, o hormônio garante a diferenciação do sexo, estimulando a formação do aparelho reprodutor masculino
- Glândula do tamanho de uma ervilha que fica na base do cérebro, a hipófise produz hormônios que estimulam os testículos a começar a produzir testosterona e espermatozoides
- Na adolescência, a testosterona é responsável pelo crescimento do pênis, ganho de pelo no corpo e aumento da massa muscular
- O hormônio também está relacionado ao desejo sexual masculino e tem papel fundamental na manutenção da ereção do homem
- Com o passar dos anos, a produção de testosterona diminui. O quadro é chamado de declínio androgênico do envelhecimento masculino

Entre o mal-estar e a paternidade
“Sempre fui muito ativo e disposto, mas, de repente, comecei a sentir um desânimo, um sono mais acentuado, indisposição e falta de apetite sexual. Percebi que havia alguma coisa errada e resolvi ir ao médico fazer uma bateria de exames. Todos os índices se apresentaram normais, com exceção da testosterona, que estava baixa. A urologista, então, me receitou o medicamento injetável trimestral. No dia seguinte à aplicação, li uma notícia engraçada no jornal e involuntariamente me peguei gargalhando. O meu humor, que sempre foi bom, voltou instantaneamente, como num passe de mágica. Todos aqueles sintomas anteriores desapareceram e o principal para mim, o desejo sexual voltou ao normal. Mas descobri que não continha espermatozoides no meu espermograma, ou seja, estava totalmente estéril. Interrompi o ciclo do medicamento e, depois de três meses, refiz o exame e estava tudo normalizado. O quadro havia sido totalmente revertido. Nesse momento, eu e minha mulher estamos em tratamento voltado para gravidez, por isso, não posso mais fazer uso do medicamento. Confesso que sinto falta. Não sinto mais os sintomas tão acentuados, mas me sentia melhor com o uso. Quando terminarmos o tratamento da gravidez, se o médico autorizar, gostaria de continuar com o ciclo trimestral.”
Alberto*, 48 anos
*Nome fictício a pedido do entrevistado 

Falta de atividade física pode causar disfunção erétil

Uma pesquisa divulgada pelo Centro de Referência da Saúde do Homem, da Secretaria da Saúde de São Paulo, relaciona a disfunção erétil com o sedentarismo. Segundo o estudo, a falta de exercício acumula gordura no corpo que pode comprometer a circulação do pênis, provocando a dificuldade de ereção.

De acordo com a pesquisa, a pessoa que não se exercita apresenta problemas como colesterol alto, diabetes e hipertensão. Esse quadro deixa os vasos rígidos, contribuindo para o entupimento das artérias, que irrigam o pênis e o mantém ereto.

Aquela famosa barriguinha provocada pela falta de exercício também contribui para a doença, pois a gordura acumulada nessa região influencia de forma negativa a produção de testosterona, o hormônio que estimula o apetite sexual.


Disfunção erétil pode ser sintoma precoce de doença coronariana, entenda

Médicos defendem que um problema de ereção deve ser encarado da mesma forma que o sobrepeso e o tabagismo, por exemplo, para avaliar o risco de problemas no coração e na circulação. A disfunção de hoje pode significar um infarte daqui a cinco anos

No Brasil, cerca de 48% dos homens após os 40 anos apresentarão alguma queixa relativa à disfunção erétil, temporária ou regularmente. Além de ter a consciência de que é muito comum, quem sofre com o problema deve considerá-lo como uma questão global de saúde. Segundo o médico Daniel Alcantara, especialista do Núcleo de Urologia do Hospital Samaritano, de São Paulo, uma queixa relativa à ereção pode ser um marcador precoce de risco de doença coronariana no futuro. "A disfunção de hoje poderá ser o infarto do miocárdio daqui a quatro ou cinco anos", destaca.

O urologista explica que as artérias do pênis têm cerca de um milímetro. Já as coronarianas têm, em média, 4 milímetros. Assim, se a causa do problema sexual – seja ele leve, moderado ou acentuado, quando a pessoa deixa de ter relações durante longos períodos - for uma obstrução circulatória, é preciso uma avaliação criteriosa. O fator que impede o fluxo de sangue para o pênis, dificultando a ereção, pode afetar também o coração, principalmente entre os pacientes que já apresentam outras variáveis de risco, como o sobrepeso, a hereditariedade, a hipertensão, o tabagismo, o sedentarismo, o colesterol e a glicemia em níveis indesejáveis. 

Os elementos que aumentam a propensão ao infarte e à disfunção erétil (DE) são muito semelhantes. “Por isso, uma obstrução arterial em um vaso sanguíneo de calibre menor, como no pênis, deve ser avaliado como indicador global de saúde”, reforça Alcântara. Para o urologista, é um marcador que não pode ser ignorado mesmo entre os homens que não fazem questão de tratar a DE; ou não colocam a relação sexual com outra pessoa como prioridade. “Alguns pacientes chegam ao meu consultório dizendo que não fazem questão de resgatar a ereção – seja por uma questão de interesse próprio ou da parceira; ou qualquer outra razão íntima. Respeitamos isso, mas a função erétil, ainda que não seja considerada como indicador de qualidade de vida por todos, deve ser vista, sim, como sinal de organismo saudável”, garante.

Dentro dessa lógica, o sistema nervoso também dá sinais de que algo não vai bem. “Se há algum estímulo sexual, seja um toque ou um filme, por exemplo, a excitação vai até o córtex cerebral e de lá seguem uma série de reações – taquicardia, pelo arrepiados. os músculos das artérias relaxam para permitir o fluxo aumentado de sangue... Se há alguma deficiência nesse mecanismo - no caso de diabetes, há maior propensão a neuropatias, só para citar uma possibilidade - o primeiro alerta pode vir da disfunção erétil”, explica Alcântara. 

Da mesma maneira, as queixas podem ser sinais precoces do risco de aneurisma. “Esses danos neurológicos podem também facilitar a ocorrência de um acidente vascular cerebral (AVC) obstrutivo das carótidas, que são as artérias responsáveis por levar sangue oxigenado ao cérebro”, acrescenta o especialista.

A disfunção erétil deve ser vista, segundo o médico, como doença relacionada ao estilo de vida. “Uma boa saúde sexual nada tem de secundária ou de 'mera recreação'. Ela está diretamente ligada a uma boa saúde global e deve receber investimentos para ser tratada de forma mais ampla também no Sistema Único de Saúde (SUS)”, pondera Daniel Alcantara.

Preconceito e tratamento
Com exceção dos casos em que o paciente passa por uma cirurgia radical de próstata ou de intestino, por exemplo, ou ainda um trauma de bacia, geralmente os casos de disfunção erétil relacionam-se a insatisfações psicológicas e condições específicas em nervos e artérias. Pode haver também a influência de efeitos colaterais dos tratamentos para doenças como a depressão e hipertensão, entre outras. “Sempre digo que a relação, do ponto de vista do homem, é um barco a vela – o pênis é um barco, alimentado por sangue e nervos; a vela é a cabeça, que pode ser afetada pelo stress, pelo trânsito, pelas dúvidas, por problemas na relação conjugal. E o vento é justamente a parceria com a outra pessoa na cama”, compara o urologista.

De acordo com o médico, apesar de multicausal, a disfunção erétil sempre está vinculada ao desequilíbrio entre a contração e o relaxamento da musculatura lisa dos corpos cavernosos. Os motivos que levam a esse desequilíbrio podem ser orgânicos, de origem psicológica e também mista (orgânico + psicogênico). O diagnóstico é feito pela história clínica, exame físico, exames de laboratório e teste de ereção. "O tratamento tem que ser individualizado e cada caso deve ser avaliado em detalhe. Mas a primeira linha de terapia utiliza medicamentos orais. A segunda é a autoinjeção intracavernosa e/ou bomba de vácuo. E a terceira linha é o implante de prótese peniana. Em todos esses casos, recomenda-se o acompanhamento psicoterápico”, resume. Na maioria das ocorrências, a primeira linha é suficiente. 

Com a evolução dos medicamentos orais, foi possível também estabelecer um tratamento com dose diária, em horários preestabelecidos. “Assim, retiramos a pressão do 'tomei o remédio agora, então tem que funcionar' ou 'tomei o remédio, então sou obrigado a ter relação'. Conseguimos diminuir o estigma em torno do fármaco. O controle é feito de forma mais tranquila”, acrescenta o urologista. A medicação para disfunção erétil de uso contínuo foi lançada em 2010, com o objetivo de que a dose diária trouxesse mais espontaneidade nas relações sexuais, sem prejuízo no resultado final. "Mas muitas pessoas continuam com a imagem da época em que as 'pílulas azuis' foram lançadas, o que gera receio e insegurança", salienta Alcantara.

O urologista lembra que o mais importante para encontrar a solução é, primeiramente, a quebra do preconceito entre os pacientes – cerca de 40% das consultas são marcadas por mulheres. De acordo com o especialista, eles não tomam a iniciativa. E, quando os homens marcam a visita ao médico, geralmente é por indicação de um amigo próximo que teve um problema grave. O motivador é o medo. “Apesar de tantas mudanças na sociedade, muitos homens mantêm aquela imagem de que devem ser infalíveis. Se ele estiver doente, vai deixar de ser o macho alfa, vai demonstrar fragilidade”, avalia Daniel Alcântara.

O médico lembra ainda que raciocínio semelhante se aplica a elas, no que diz respeito à relação entre saúde global e sexual. Em estudos recentes, a queda do desejo e a baixa lubrificação foram associadas a um risco maior de doenças coronarianas também nas mulheres. “As disfunções sexuais são sinais importantes, que devem ser avaliados como indicadores da saúde física e mental plena", reforça Alcantara.

 A ideia de que a saúde sexual está ligada à saúde do coração pode estar provocando um efeito indesejável em pacientes que já tem alguma doença diagnosticada. Uma pesquisa divulgada em junho apontou que cerca de um milhão de cidadãos britânicos havia desistido do sexo, pelo medo de que a atividade pudesse ser gatilho para o ataque cardíaco. A pesquisa ouviu 1.500 pessoas com fatores de risco ou doenças coronarianas.

Um terço dos entrevistados disse que havia diminuído a frequências das relações. Um quinto afirmou ter abandonado completamente. Além disso, uma em cada sete pessoas afirmaram que o desejo havia diminuído, devido ao impacto emocional do diagnóstico.

Cerca de 30% das pessoas entrevistadas não haviam, no entanto, discutido o problema com o médico. “Fica claro que os pacientes precisam de mais apoio e informações. A disfunção erétil, por exemplo, pode e deve ser tratada em pacientes cardíacos. O sexo é uma parte importante da vida e não está recebendo a atenção devida nos consultórios. As pessoas precisam se sentir confortáveis e confiantes para levantar essas questões, e não simplesmente desistir”, ponderou, em comunicado, a Fundação Britânica do Coração (BHF), organizadora do levantamento.


Remédio para calvície provoca disfunção erétil - verdade ou mito?

Conversamos com o presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia (Regional Minas Gerais) para esclarecer algumas dúvidas sobre o tratamento da calvície masculina. Se isso te incomoda, deixe de lado a vergonha de perguntar e não caia em conversa fiada.

Sim, está na bula. Entre os efeitos colaterais de um dos medicamentos mais utilizados para prevenir a calvície, cujo princípio ativo é a finasterida, consta a possibilidade de diminuição da libido e a disfunção erétil. Bastou isso para a criação de uma série de exageros, mitos e piadinhas em relação ao tratamento do problema, desinformando e inibindo os homens que não se sentem confortáveis com a perda de cabelo. “O efeito colateral, além de muito raro, é temporário e reversível. A reação indesejada deixa de se manifestar assim que o uso do medicamento é interrompido”, esclarece Geraldo Magela Magalhães, presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia – Regional Minas Gerais.

Magalhães ressalta ainda que não existe apenas uma opção para prevenir e tratar a calvície masculina. A forma mais comum – a alopecia androgenética masculina – tem origem no histórico familiar, como o próprio nome indica. Mas ela não é a única forma, a exemplo das alopecias de origem autoimune. “Todo homem que observe um início de queda de cabelo deve consultar um dermatologista para confirmar a causa e decidir qual é o melhor tratamento. Apenas a partir da avaliação médica e do exame específico é possível definir o tipo e o grau (extensão) de calvície e indicar o medicamento, seja de uso tópico ou oral”, frisa o especialista.

A partir dessa avaliação, é possível utilizar substâncias com efeito semelhante ao da finasterida, mas de uso tópico. O dermatologista explica que, além dos medicamentos mais conhecidos, dos grupos da finasterida (uso oral) e do minoxidil, existe o grupo do alfaestradiol, também de uso tópico, ou seja, aplicação no couro cabeludo. “Independentemente do método escolhido, é importante lembrar que todo tratamento para calvície genética masculina deverá ser feito por tempo indeterminado – ou seja, para o resto da vida, com avaliações periódicas e acompanhamento”, salienta Magalhães.

Em outras palavras, não existe a cura da alopecia androgenética. Para minimizar ou interromper a excessiva perda dos fios, o paciente deverá continuar sendo medicado por toda a vida.

Outros mitos
Outro exagero que circula entre as rodinhas de amigos é: se eu parar de tomar o remédio, todo o cabelo que não havia caído durante o tratamento vai cair de uma vez. “O cabelo seguirá o ritmo normal da queda , que aconteceria caso a pessoa não estivesse se tratando. Não será algo repentino ou mais rápido do que o normal”, explica Magalhães.


Tratamento deve ser indicado pelo médico, após exame clínico e de imagem; e não pelo amigo
Em pessoas geneticamente predispostas, a ingestão excessiva de vitaminas ou ainda o uso de anabolizantes também podem causar a queda de cabelo. Apesar de existir essa possibilidade, para ter certeza é preciso fazer o diagnóstico clínico e estabelecer a relação causal exata. A análise abrange a consulta dermatológica e um exame de imagem, geralmente realizado no próprio consultório, chamado tricoscopia, realizado com um fotovideodermatoscópio. Apesar do nome, o exame é rápido, indolor e não invasivo. Basicamente, a lente do aparelho amplia o couro cabeludo, permitindo avaliar o folículo piloso e outros sinais que indiquem o tipo e grau da calvície.

Uma outra dúvida comum é sobre a idade certa para procurar o médico e o tratamento, se for o caso. “Não existe uma idade definida e é possível tratar em qualquer idade. Há pessoas que já enfrentam os sinais da calvície aos 18 anos e outras que só vão notar alguma perda depois dos 35. Mas é claro que, se o paciente chegar à consulta com uma extensão grande de calvície, os resultados serão menos expressivos. Quanto mais cedo, melhor”, define o médico.

Geraldo Magalhães esclarece ainda uma outra confusão frequente. “O tratamento não vai fazer nascer cabelo. Vai prevenir a queda e retardar o processo. Não é a idade que define o sucesso do tratamento, e sim o grau de evolução da alopecia”, resume o dermatologista.

E aquela história de que é a família da mãe que define se o rapaz vai ficar careca ou não? “Os aspectos genéticos da queda de cabelo masculina ainda não foram totalmente esclarecidos. Ela é multifatorial e relacionada a vários genes, ou seja, não há um padrão uniforme. Pode vir do pai ou da mãe”, completa o presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia/Regional MG. Alguns acreditam que é dos carecas que eles/elas gostam mais, mas, aos olhos da saúde e da medicina, continua valendo mesmo uma outra velha máxima: cada caso é um caso.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que metade da população masculina do planeta terá algum grau de calvície até os 50 anos. A culpa é o dihidrotestosterona (DHT), hormônio derivado da testosterona, maior responsável pela queda do cabelo. As mulheres também a produzem, mas em quantidade muito menor. A estatística indica que o problema afeta apenas 5% delas.

A alopecia androgenética, chamada popularmente de calvície hereditária, é caracterizada por um afinamento dos fios, na maioria das vezes de forma lenta e progressiva. Não custa lembrar que calvície e queda de cabelo são coisas diferentes. A queda de cabelo pode ser causada (e revertida) pro problemas relacionados ao stress, ao fumo, ao uso de tintura e à alimentação, sem fundo genético.

Fonte:http://sites.uai.com.br/app/noticia/saudeplena/noticias/

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