O DIFÍCIL PRAZER SEXUAL DA MULHER

Ilustração: Lumi Mae
Ilustração: Lumi Mae

O difícil prazer sexual da mulher

Regina Navarro Lins

Comentando a Pergunta da Semana

A maioria das pessoas que responderam à enquete acreditam que a maior parte das mulheres tem dificuldade em ter orgasmo.
No orgasmo, há perda momentânea da consciência, que pode durar até um minuto e meio; alterações neuromusculares e endócrinas; vasodilatação generalizada; aumento da frequência cardíaca e da pressão arterial; contrações musculares dos membros inferiores, do assoalho pélvico e circunvaginais; rubor. Todas essas sensações vividas ao mesmo tempo.
É o prazer físico mais intenso que um ser humano pode experimentar. O termo é usado tanto para o prazer masculino quanto feminino, mas 2/3 das mulheres o desconhecem.
Na nossa cultura o sofrimento sempre foi considerado uma virtude e o prazer um pecado. Afinal, controlar os prazeres das pessoas é controlá-las. O prazer sexual, por pertencer à natureza humana e atingir a todos sem exceção, sempre foi visto como o mais perigoso de todos. É, portanto, o mais controlado.
A Igreja da Idade Média só isentava de pecado o ato sexual no casamento se não houvesse prazer entre o casal. O homem que desejasse a esposa estaria cometendo um verdadeiro adultério, que era um grande pecado. Se para o homem era assim, imaginem para a mulher, com o orgasmo desvinculado da procriação!
Nos séculos seguintes, a condenação da Igreja à prática carnal continuou intensa. Desenvolveram uma ideologia potente de negação do sexo, tinham obsessão por superar o apetite sexual. Para eles a sexualidade representava um perigo gravíssimo e um defeito fatal; encaravam a virgindade como algo que se opunha e vencia a sexualidade e infelizmente não conseguiram perceber que a renúncia não afasta nem anula o desejo.
A sexologia aparece na segunda metade do século 19. No livro “Tratado sobre a impotência e a esterilidade no homem e na mulher”, de 1855, o Dr. Roubaud, descreve o orgasmo nos seguintes termos catastróficos:
“No orgasmo a circulação se acelera. Os olhos violentamente injetados, se tornam esgazeados. A respiração, ofegante e entrecortada em alguns, se suspende em outros. Os centros nervosos congestionados transmitem apenas sensações e volições confusas. Os membros, tomados por convulsões e às vezes por câimbras, agitam-se em todos os sentidos ou se estendem e se enrijecem como barras de ferro; os maxilares cerrados fazem ranger os dentes, e algumas pessoas levam tão longe o delírio erótico que, esquecendo o companheiro de sua volúpia, mordem até sangrar um ombro que ali ficou incautamente abandonado. Esse estado frenético, essa epilepsia e esse delírio geralmente duram pouco. No entanto, bastam para esgotar as forças do organismo.''
A descrição desse “filme de terror'' devia ser para ninguém nem querer mais pensar no assunto. Na era vitoriana, sobretudo depois que a rainha Vitória, da Inglaterra, ficou viúva, em 1861, a repressão sexual se intensificou.
O prazer sexual das mulheres era inaceitável. A falta de desejo sexual era um importante aspecto da feminilidade. O ponto de vista oficial da época foi bem expresso pelo médico Lord Acton, que escreveu: “Felizmente para a sociedade, a ideia de que a mulher possui sentimentos sexuais pode ser afastada como uma calúnia vil.''
Alguns dos revolucionários do sexo reconheciam a existência do desejo feminino e afirmavam em voz alta o direito da mulher ao orgasmo. Mas o estudioso mais revolucionário quanto à importância do orgasmo na vida de homens e mulheres foi Wilhelm Reich (1897-1957).
Para ele as enfermidades psíquicas são a consequência do caos sexual da sociedade, já que a saúde mental depende da potência orgástica, isto é, do ponto até o qual o indivíduo pode se entregar e experimentar o clímax de excitação no ato sexual.
E meados do século 20, o orgasmo feminino começa a ser admitido com muita cautela. A mulher que gozava sem amor era tida como ninfomaníaca, ao passo que o homem casado que frequentava os bordéis era considerado normal. A sexualidade humana é elevada a ramo legítimo das ciências humanas.
Os estudos de Wilhelm Reich (A função do orgasmo, 1927), Alfred Kinsey (Comportamento sexual do homem, 1948) e Masters e Johnson, que em 1950 observaram pela primeira vez os aparelhos genitais masculinos e femininos durante o ato sexual, e em 1966 publicaram A conduta sexual humana, lançam luz sobre o erotismo.
As grandes transformações na moral sexual fizeram com que homens e mulheres não acreditassem mais, conscientemente, que o ato sexual seja pecado. Mas, os antigos tabus ainda persistem no inconsciente. O sexo continua sendo um problema complicado e difícil, com muitas dúvidas. A maioria das pessoas dedica um tempo enorme de suas vidas às suas fantasias, desejos, temores, vergonha e culpas sexuais.
Muitos acreditam ser o sexo uma coisa impura e nada humana. A vergonha e a culpa sexuais podem se manifestar diante de um pensamento, de um desejo ou da simples intenção de agir de determinada maneira. Afinal, não foram poucos os séculos de repressão. Na nossa cultura há uma expectativa de que todos se sintam culpados e envergonhados por causa dos seus órgãos sexuais e suas funções.
A grande maioria das pessoas acaba fazendo menos sexo do que gostaria e de pior qualidade do que poderia. Não é à toa que Reich fala da miséria sexual das pessoas, porque, segundo ele, elas se desempenham sexualmente de tal modo, que se frustram durante a própria realização com uma habilidade espantosa.
Os ocidentais praticam sexo mecânico, rotineiro, desprovido de emoção, com o único objetivo de atingir qualquer orgasmo, o mais rápido possível, é o que nos diz Reich. Setenta e cinco por cento dos homens ejaculam em menos de dois minutos, após introduzir o pênis na vagina e muitos, depois disso, viram para o lado e dormem.
Enquanto isso, o grande número de mulheres não tem orgasmo se desilude com a objetividade do homem. O desempenho sexual se torna bastante ansioso, podendo levar a bloqueio emocional e disfunções como impotência e ejaculação precoce.
Sem dúvida, homens e mulheres são capazes de conseguir mais da própria vida sexual. Os jogos de amor oferecem um espaço imenso onde podem crescer e se desenvolver desde que encontrem tempo, energia, coragem e honestidade para partir em busca desse objetivo. 

Fonte:http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2015/08/04/o-dificil-prazer-sexual/

Ilustração: Lumi Mae

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