QUANDO O AMOR TERMINA,É O REGASTE DE UM SOFRIMENTO

Quando o amor termina, é o resgate de um investimento.

A paixão tem algo de ilusório, é a mistura de um coquetel químico que faz nosso corpo pegar em chamas com um conjunto de ilusões e falsas expectativas a respeito do outro. Por ser algo intoxicante e ao mesmo tempo ilusório, aumenta o tamanho das coisas.
Foi o escritor Yukio Mishima que disse que paixão é como uma dor de dente. Quando a dor está lá ela parece ser a coisa mais importante do mundo, ocupa completamente os seus pensamentos por dias e dias, e o dente dentro da boca parece pesado e gigante como uma rocha.
Muitas vezes essa dor de dente não é um problema. Uma boa paixão pode ser curtida e terminar tranquilamente quando chegar seu momento. Mas muitas vezes a paixão também é tóxica, como descrevi no item 7. Nesse caso, o melhor é arrancar esse dente que dói.
Porém, não adianta tentar acabar com uma paixão assim do nada. Isso é o mesmo que arrancar um dente com uma só puxada forte: é possível que você arranque (me desculpem a metáfora violenta) um pedaço da sua mandíbula se fizer isso. Precisamos fazer como um dentista e arrancar a paixão aos poucos, distanciando-nos gradualmente da pessoa – pois, diferente do amor que persiste mesmo durante uma longa ausência, a paixão enfraquece com o distanciamento ocasional.
E aqui vem o detalhe curioso: quando finalmente arrancamos o dente da paixão e olhamos para ele fora de nossa boca, percebemos o quanto ele era pequeno, e mal acreditamos que algo tão insignificante ocupou por tanto tempo a nossa atenção.
Já o fim do amor é totalmente diferente. Como veremos no próximo item, o amor na verdade nunca acaba: ele se transforma em outra coisa. O que acaba é o relacionamento, e do fim do relacionamento há o resgate do investimento afetivo que fizemos na outra pessoa.
Quando você se relaciona com alguém que ama, é como se fizesse um daqueles investimentos financeiros em que o resgate do dinheiro não é automático: solicitada a devolução, o banco tem, segundo o contrato, dias e talvez semanas para resgatar o valor do investimento e entregar a você.
Portanto, quando você ama, faz um investimento de expectativas, um depósito de capital afetivo na pessoa que não é imediatamente resgatável. E quando o relacionamento acaba, você emite uma ordem bancária informando seu desejo de terminar com aquele investimento – mas suas expectativas continuam lá, ainda depositadas por mais algumas semanas naquela relação, mesmo que ela tenha terminado.
Não adianta nesse período tentar investir em qualquer outra relação, pois você simplesmente não tem fundos, isso seria uma espécie de estelionato. Só resta a você aguardar pacientemente, confiante de que a instituição financeira (isto é, a Vida), sempre devolverá aquilo que lhe pertence – e torcendo para que, no momento da efetiva restituição, não lhe descontem um valor muito alto a título de taxa e multa pelo encerramento prematuro da relação. Nesse caso, sempre ficará algo que é seu com a outra pessoa. Mas isso, afinal, sempre ocorre: algo de nós sempre permanece com todos aqueles com quem nos envolvemos.

Fonte: Tempo de Consciência

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