8 DE MARÇO - DIA INTERNACIONAL DA MULHER - PAIXÃO DE SER MULHER - SUPERANDO O PRECONCEITO EM NOME DA FELICIDADE


Jéssica Rodrigues (sentada) e Jéssica Bragança: amizade começou na sala de aula, hoje elas formam uma famíliaFoto: Mateus Bruxel / Agencia RBS

Paixão por ser mulher: histórias de casais que superam o preconceito em nome da felicidade

Exemplos de coragem, quatro mulheres contam como enfrentaram o preconceito de uns e a cara feia de outros em nome da sua felicidade

07/03/2015 | 07h
Ninal de semana do Dia Internacional da Mulher, data em que lembramos das várias conquistas do gênero feminino sem deixar de focar nas muitas que ainda precisam ser vencidas, o Diário Gaúcho conta as história de dois casais que representam um dos tantos avanços cada vez mais evidentes na nossa sociedade.

De acordo com o IBGE, só em 2013, foram realizados no Brasil 3.701 casamentos entre pessoas do mesmo sexo, dos quais 52% dos casais eram formados por mulheres. Foi a primeira vez que o Instituto investigou a união entre pessoas de mesmo sexo, permitida por lei desde aquele ano.

Sula e Lene, compartilhando palcos e a vida

Só depois de casar três vezes e de ter quatro filhos homens, Sulani Mara Teixeira da Silva, 51 anos, chegou aos braços do amor que sempre quis encontrar. E ele estava bem perto.

Amiga da família, Jersilene Drago Santos, 49 anos, que sempre foi próxima dos filhos de Sulani, ocupou um espaço até então não havia sido preenchido na vida da futura companheira. 

As duas estreitaram os laços dividindo o gosto por cantar em barzinhos, até que começaram a compartilhar os palcos, a vida e a família, que hoje vive no Bairro Sarandi, na Zona Norte de Porto Alegre

Cantando Fafá de Belém e Alcione, viraram Sula & Lene em baladas noturnas e o casal feminino que comanda a família de maioria masculina. Ao mesmo tempo em que enfrentaram a resistência dos parentes, Jersilene assumiu o papel de ajudar a criar e educar os filhos de Sulani: o vendedor Maicon, 31 anos, o segurança João, 21 anos, e Gustavo, 19 anos. Daniel faleceu em 2010, aos 21 anos.  

 
Lene e Sula com os filhos Gustavo (de boné) e Maicon
Foto: Mateus Bruxel/Agência RBS
Positiva, liberal e cabeça aberta

Quem fez cara feia por ela já ter sido casada outras vezes foi vencido pelo cansaço. Estão juntas há 17 anos, com anel no dedo e tatuagem na pele. Em julho, devem casar de papel passado. 

– Tive três maridos, mas nenhum foi para mim como a Jersilene é – elogia Sulani. 
Na casa onde vivem, a maioria masculina é só em número. A última palavra é do casal.  

– Sempre conversei sobre tudo com eles (os filhos de Sula): sexo, drogas, bebidas, peguei pra mim a missão de educá-los. Quando me apaixonei por Sula, tentei me afastar da família, porque ela era hétero e eu não queria interferir na vida dela. Mas os guris foram lá em casa, me pedindo para voltar  – lembra Lene. 

Hoje, elas também ajudam a criar a neta Danielle, quatro anos. Entre elas, vivem opostos. Sulani é calma e despreocupada, e Jersilene, agitada. O casal, inclusive, já serviu de inspiração para outras pessoas. 

– Tenho um sobrinho que assumiu a relação inspirado na nossa coragem. Eu assumi isso desde jovem para minha família, isso é uma coisa que vem de dentro de mim. Eu sempre lidei com a verdade – conta Jersilene.

Neste final de semana, vai rolar até um almoço especial na casa da dupla. 

– Eu me acho o máximo, uma pessoa poderosa. O Dia da Mulher é uma data muito especial. Nós superamos muitas coisas juntas. Sou uma pessoa positiva, liberal e cabeça aberta – comenta Sula. 

Um amor entre Jéssicas

Foi durante as aulas no Colégio Estadual Protásio Alves que surgiu a amizade entre Jéssica Rodrigues Galarço, 19 anos e Jéssica Bragança, 20 anos. Com apenas 17 anos, Jéssica Rodrigues engravidou do namorado, o relacionamento acabou logo depois e o vínculo com a amiga se fortaleceu. Antes de Ágata nascer, já eram inseparáveis. 

Jéssica Bragança levava a companheira para as consultas médicas, acompanhou o nascimento do bebê e saiu junto com elas da maternidade. A nova família estava formada. Hoje, Ágata tem um ano e quatro meses e tem duas mães. Ou uma mãe e um pai. Para elas, tanto faz. 

– A Jéssica era o pai que eu queria para minha filha, me ajuda em tudo, dividimos a vida, a casa, as contas – comenta Jéssica Rodrigues.

Além de um casal, são amigas. Compartilham TPM, potes de creme de 1kg para o cabelo, roupas e maquiagem. Uma sabe quando a outra não está bem.

Luta pelo que se quer
No começo, a família das duas estranhou. Alguns vizinhos olhavam torto. Teve quem achou que não daria certo. Mas elas acreditam que, para o relacionamento engrenar, o segredo é ter respeito. E é isso que querem das outras pessoas também.  

Ao refletirem sobre a data, acreditam que, apesar dos avanços, as mulheres precisa ousar mais. 

– E não só na vida pessoal. Se, por exemplo, uma mulher gosta de alguma profissão que é mais comum entre os homens, tem que ir em frente. Não é feio lutar pelo que a gente quer – diz Jéssica Rodrigues. 

Com discurso de vanguarda, as Jéssicas contam que tiveram paciência para que as famílias aceitassem a relação.

– Sei que, falando assim, estou representando outras mil mulheres que têm ou queriam ter um relacionamento assim – afirma Jéssica Rodrigues. 

Legislação avançou, mas cultura demora mais
Para a professora de Serviço Social da Unisinos, Sônia Maria Almeida, houve avanços na legislação para as mulheres em suas relações homoafetivas – como aprovação do casamento gay e da adoção – mas o comportamento cultural ainda precisa de mais tempo para acompanhar o que está no papel. 

– A legislação é uma letra fria, não é tão simples assim. Como é uma reconstrução na cultura, é um movimento comportamental e isso vai de geração para geração, parte de um processo das famílias. 

Não há dúvidas, segundo Sônia, de que as novas gerações serão mais abertas e receptivas à diversidade de gênero, respeitando de forma independente a opção sexual. 

Também professora do curso de Serviço Social da Unisinos, Clair Ribeiro Ziebellacredita que, mesmo com os avanços da mulher, ainda há uma distância notável em relação ao sexo feminino. A remuneração ainda é de 20% a 30% mais baixa. No mundo, apenas 20% das mulheres têm participação na política e 17% estão em cargo de poder. 

– A Organização Internacional do Trabalho estima que só daqui a 80 anos vai acabar a disparidade entre homem e mulher no mercado de trabalho.
Influência da mídia
A televisão, jornais e revistas também têm tomado a função de naturalizar a diferença de gêneros. Doutorando da Unisinos, o jornalista Felipe Vieropesquisa o tratamento de gêneros e sexualidade na mídia. Na sua avaliação, o próprio tratamento ao tema mudou. 

– Na década de 1980, ligavam muito ao homossexualismo à aids de uma forma preconceituosa, o que mostrava um desconhecimento em tratar a questão. Passados os anos, estão trazendo o assunto para o cotidiano e para a naturalização.

Ele acredita que é positivo exibir casais gays nas novelas na tentativa de romper os padrões – na próxima novela das nove, Babilônia, as atrizes Fernanda Montenegro e Nathalia Timberg viverão um casal –  mas que ainda há um caminho longo a ser percorrido.
Fonte:http://zh.clicrbs.com.br/rs/noticia/2015/03/paixao-por-ser-mulher-historias-de-casais-que-superam-o-preconceito-em-nome-da-felicidade-4713272.html?

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