SER FEMININA NÃO É SER MULHER


Ser feminina não é ser mulher

O que torna uma mulher feminina? Delicadeza? Sensibilidade? Vaidade? Gostar de rosa? Todas as frescurites que ela é capaz de consumir? A pergunta foi feita no início de uma palestra sobre representações de gênero, da psicóloga Regina Navarro Lins, justamente para provocar. Ninguém soube responder. E eu, que sempre me considerei feminina, não sabia dizer o que significava isso. Percebi que talvez o rótulo de feminina seja uma camisa-de-força na qual as mulheres são amarradas, desde o nascimento.
Quando cheguei ao mundo, deparei-me com a enorme expectativa das pessoas ao meu redor sobre aquilo que iria me tornar. Então me ensinaram que mulheres usam rosa, homens preferem azul – e todos os outros clichês que rotulam os sexos. Desde a infância, puseram-me para brincar de casinha. Ganhei batons, fivelas de florzinha. Entendi que tudo isso era ser feminina.
Tornei-me a princesinha do papai, evocando as histórias de contos de fadas que tanto mexiam com meus sonhos. Idealizei a vida daquelas personagens ineptas – donzelas indefesas à espera do príncipe encantado. E assim prossegue a educação das meninas. Em vez de aprenderem a se defender, passam a acreditar que precisam ser protegidas, em todos os momentos. Cria-se uma dependência, cultuada como bela – que linda a submissão feminina! Essas damas, tão delicadas, devem ser assistidas pelos cavalheiros até no momento de abrir a porta do carro. Pequenos são os gestos com que nos acostumamos, sem sequer refletir sobre seu significado.
Depilação. Salão de beleza. Cremes. Esmaltes. Roupas. Acessórios. Maquiagem. Tratamentos estéticos. Invisto uma infinidade de esforço, tempo e dinheiro para parecer feminina. Minha autoestima parece estar diretamente ligada à minha vaidade – o estado do meu corpo, minha aparência. E nada disso faz de mim mulher.
Se eu nascesse homem, provavelmente me tornaria uma bicha afetada – de tanto que adoro todos os rituais de beleza femininos. Mas as unhas que tento de manter compridas e os saltos altos nos quais gosto de me equilibrar não passam de uma simbologia machista. São, segundo Veblen, marcos de ociosidade – indícios de que não trabalho com os pés ou com as mãos. Então ser feminina é não se envolver em trabalhos braçais? Talvez. Só que isso não define uma mulher.
Ser feminina é corresponder a um estereótipo alimentado pela indústria de consumo. Torna-se uma cobrança da mulher com ela mesma. Sua capacidade de sedução parece depender da sua feminilidade. Da mesma forma como os homens são cobrados a demonstrar coragem, bravura, virilidade – como se isso fosse sinônimo de masculinidade. Conceitos tão restritos desvalorizam as particularidades individuais. Afinal, nós mulheres somos todas tão diferentes. Enquanto a definição de feminilidade segue sendo mera construção social.
Alguns invocam os aspectos biológicos e naturais do que chamam por “sexo frágil” para ratificar preconceitos de gênero. No entanto, ao ver uma mulher em trabalho de parto, só consigo pensar como em nada isso corresponde à ideia de fragilidade. Não me sinto o oposto de um homem – temos tantas semelhanças. De fato, me falta a força física de um atleta masculino, mas ainda assim sou capaz de bater muitos caras na queda de braço. Quer apostar?
Ser mulher talvez seja apenas ter uma vagina. Ser dotada da dádiva da gravidez, portanto incumbida do encargo da maternidade. E nada mais.
Fonte:http://lasciva.blog.br/atitude/ser-feminina-nao-e-ser-mulher/

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