PARAFILIAS OU PERVERÇÕES SEXUAIS : QUANDO AS PREFERÊNCIAS SEXUAIS SÃO DOENTIAS

O que é normal e o que é doença da sexualidade?

Transtornos da sexualidade são divididos em três grandes grupos: disfunções sexuais, transtornos de identidade e transtornos de preferência, que afetam homens e mulheres. Há cura para alguns, outros exigem tratamento com psicoterapia e medicamentos.

O que é normal e o que é doença da sexualidade? O comportamento sexual humano é diverso e determinado por fatores controláveis ou não, que são influenciados desde o relacionamento de um indivíduo com outros, circunstâncias de vida, influência cultural até práticas consideradas transtornos patológicos que precisam de acompanhamento médico. Na mais recente edição do Congresso Brasileiro de Psiquiatria, em Curitiba, ocorrida no fim do ano passado, esse foi um dos temas de conferencistas que se debruçaram sobre diagnósticos e tratamentos. A psiquiatra Kie Kojo, especialista em sexualidade humana pela Universidade de São Paulo (USP), diz que é cada vez mais frequente a busca pela sexualidade satisfatória, uma necessidade básica e primordial para a saúde como um todo. "E tudo aquilo que cause alteração sobre essa sexualidade deve ser investigado, diagnosticado e tratado."

Tendo como base a Classificação Internacional de Doenças (CID-10), em vigor no Brasil desde 1993, Kie Kojo explica que os transtornos da sexualidade são divididos em três grandes grupos: disfunções sexuais, transtornos de identidade e transtornos de preferência. As disfunções sexuais englobam todo tipo de incapacidade de participar do ato sexual de forma satisfatória, seja pela falta, excesso, dor ou desconforto, falha nas respostas fisiológicas ou incapacidade de controlar ou experimentar o orgasmo. Por ser um tema delicado, mas pouco abordado no cotidiano, o Estado de Minas dá início hoje a uma série sobre o assunto.

As disfunções sexuais são os transtornos sexuais mais prevalentes e a psiquiatra alerta que "essa incapacidade está presente em todas ou quase todas as relações sexuais por um período mínimo de seis meses causando sofrimento pessoal e ao parceiro". Ela reforça que estudo realizado no Brasil pela professora Carmita Abdo indicou que 28,5% das mulheres apresentam algum tipo de disfunção, sendo as mais prevalentes o desejo sexual hipoativo, transtorno de lubrificação e anorgasmia (veja ao lado). Entre os homens, 18,2% apresentam algum tipo de disfunção, sendo mais comuns a ejaculação precoce e a disfunção erétil.

Kie Kojo ensina que as disfunções são classificadas em primária, quando ocorrem desde o início da vida sexual, e secundária, quando começam depois de um período de vida sexual satisfatória. A generalizada ocorre em qualquer situação e/ou com todos os parceiros e a situacional em uma determinada situação e/ou com um determinado parceiro. Há ainda a orgânica, quando existe algum tipo de lesão física (como sequelas de cirurgias e sequelas do diabetes, etc.), e a psicogênica, na ausência de lesão, provocada por problemas emocionais, sendo a mais comum. "As disfunções tendem a ser mais graves quanto mais precoce for o bloqueio no ciclo de resposta sexual, composto por desejo, excitação, orgasmo e resolução. De uma forma geral, o bloqueio do desejo é mais complexo de tratar do que o bloqueio do orgasmo."

A especialista explica que as disfunções sexuais são desejo sexual hipoativo, aversão sexual, disfunção erétil, disfunção de lubrificação, anorgasmia, vaginismo, dispareunia, ejaculação precoce, compulsão sexual e disfunção sexual não especificada. "O tratamento deve ser individualizado, mas na maioria das vezes usamos a associação da terapia sexual com a psicofarmacologia", diz.

Em busca da própria identidade

O segundo grupo dos transtornos da sexualidade é chamado de transtorno de identidade sexual, caracterizado pelo desejo irreversível de viver e de ser aceito como pertencente ao gênero oposto. "A epidemiologia é controversa, mas estima-se que no Brasil a proporção seja de um transexual masculino para cada 40 mil homens e de um transexual feminino para cada 80 mil mulheres", diz a psiquiatra especialista em sexualidade humana pela Universidade de São Paulo Kie Kojo. Ou seja, não é tão comum. "A etiologia também é inconclusiva. Mas parecem existir fatores hormonais e genéticos (cromossômicos) envolvidos no desenvolvimento desses transtornos."

Conforme a psiquiatra, os transtornos de identidade sexual são transexualismo, transvestismo de duplo papel, transtorno de identidade sexual na infância e transtorno de identidade sexual não especificada. "O transexualismo é o transtorno de identidade mais conhecido, caracterizado pelo desejo de pertencer ao gênero oposto acompanhado de um intenso desconforto com o seu sexo anatômico, assim como o desejo de se submeter a tratamentos hormonais e de mudança de sexo para tornar seu corpo o mais parecido possível com o do gênero oposto. Esse desejo tem de persistir por no mínimo dois anos para ser caracterizado como transtorno. O tratamento exige equipe multidisciplinar, na maioria das vezes, e acompanhamento mínimo de dois anos. O sofrimento é tão intenso que alguns pacientes chegam a tentar o suicídio", acrescenta.

O transvestismo de duplo papel é o uso de roupas do gênero oposto durante parte da existência do indivíduo com o intuito de desfrutar a experiência de ser do gênero oposto, sem qualquer desejo de mudança de sexo ou de estimulação sexual. O indivíduo, neste caso, sente-se bem com o seu sexo anatômico. O transtorno de identidade sexual na infância é diagnosticado quando a criança apresenta uma angústia intensa e persistente com relação ao próprio gênero, junto com o desejo ou insistência de que é do gênero oposto. Ocorre, geralmente, antes da puberdade. "Dois terços dessas crianças na idade adulta terão como orientação sexual o homossexualismo. E apenas uma pequena parte delas se tornam transexuais." Já o transtorno de identidade sexual não especificada é tudo aquilo que não se encaixa nos demais.

CIRURGIA 

Como o transexualismo é o transtorno mais conhecido e divulgado, Kie Kojo enfatiza que a cirurgia de redesignação sexual, ou transgenitalização, é feita gratuitamente no Brasil desde 1997, embora fosse restrita a hospitais-escola do setor público. Em 2008, ela passou a integrar a lista de procedimentos cirúrgicos do Sistema Único de Saúde (SUS). Recentemente, o Conselho Federal de Medicina autorizou clínicas particulares a fazer o procedimento. "Já não é necessário autorização judicial. É importante ressaltar que o procedimento é complexo e irreversível. Portanto, tem de ser feito de forma responsável e por equipe capacitada."

O terceiro grupo é o de preferência sexual, ou parafilia, que adota padrão de comportamento sexual considerado perversão, tema que será abordado na edição de amanhã. Deve estar presente por um período mínimo de seis meses causando sofrimento pessoal e interpessoal. "Estima-se que 1% da população no Brasil tenha algum tipo de parafilia, sendo mais comum no gênero masculino. Frequentemente se inicia antes dos 18 anos. As parafilias mais comuns são pedofilia, voyerismo, exibicionismo, sadismo e masoquismo."


Fonte:http://sites.uai.com.br/app/noticia/saudeplena/noticias/2014/01/19/noticia_saudeplena,147240/o-que-e-normal-e-o-que-e-doenca-da-sexualidade.shtml

Conheça os tipos de parafilias e saiba quando as preferências sexuais doentias necessitam de intervenção clínica

Parafilias são preferências sexuais anormais e doentias, no sentido de bizarras a pervertidas, que a pessoa ao longo da vida desenvolve de forma lenta e gradual. Para todos há tratamento, ainda que não haja cura.

Antigamente, a definição de sexo era o ato feito entre adulto, humano e vivo na busca do prazer e para procriação. Tudo o que fugia a esse cenário era considerado transtorno. Agora, a visão da medicina e de especialistas no tema é mais coerente com o que existe. No que tange à saúde, as parafilias são consideradas alterações do comportamento sexual caracterizadas por fantasias sexuais específicas, necessidades e práticas sexuais repetitivas e angustiantes ao indivíduo que comumente lhe causam sofrimento. E toda parafilia é doença.

As parafilias, tema da segunda reportagem da série sobre transtornos da sexualidade, foram debatidas na 31ª edição do Congresso Brasileiro de Psiquiatria, em Curitiba, numa abordagem que destacou diagnóstico, tratamento e quais transtornos parafílicos são crimes e exigem intervenção clínica por causar prejuízo, excetuando os casos de comportamentos que não são convencionais, mas são praticados de forma consensual.

De Belo Horizonte e presente no Congresso, o psiquiatra Paulo Roberto Repsold, especialista em psiquiatria forense, reforça que parafilias "são preferências sexuais anormais e doentias, no sentido de bizarras a pervertidas, que a pessoa ao longo da vida desenvolve de forma lenta e gradual". O médico diz que é importante ressaltar que as parafilias podem ter graus de intensidade diferentes. Há transtornos que ninguém percebe que a pessoa tem e outros que têm perfil de psicopatas. "Tem a pedofilia, uma doença cuja prática é crime. A satisfação sexual do indivíduo, na pedofilia, é crime, no entanto, se ela ocorre só na cabeça, se a pessoa segura a onda apenas vendo imagens e revistas sobre crianças, aí não é crime. Como também aquele que sente prazer em manipular fezes ou passar suas fezes ou do parceiro no corpo. Nesse caso, não é normal. É uma doença, mas não é crime."

Repsold explica que o distúrbio mental com preferência anômala e pervertida serve para definir qualquer parafilia (veja abaixo). O tratamento é a única saída, mas não é específico. "Não há cura porque não tem efetividade segura, seja farmacológica ou psicoterapêutica. Contudo, o indivíduo consegue viver com ela, podendo reduzi-la em frequência e intensidade, e assim controlar sua compulsão, eventualmente até fazendo-a desaparecer com o passar dos anos." O critério para o diagnóstico, conforme Paulo Roberto, é a preferência. Ou seja, a pessoa sente mais prazer com a atividade parafílica do que com o sexo normal.

O psiquiatra conta que as parafilias, epidemiologicamente, não são raras na sociedade. Pelo contrário, são frequentes, principalmente, nas suas formas menos intensas. No entanto, não há números estatísticos sobre esses transtornos. Repsold destaca o impacto que elas têm na saúde do paciente ao gerar sofrimento, inadequação social e envolver terceiros, gerando graves prejuízos físicos e mentais. "A complicação do problema é que o tratamento tem de partir do indivíduo, ele tem de procurar ajuda, ou um terceiro ou ambos no pedido de socorro. No Sistema Único de Saúde (SUS) há tratamento para saúde mental que, certamente, dará o encaminhamento necessário para casos desse tipo. Ou ainda, a percepção de amigos, família, parentes, que vão estimular quem está sofrendo a buscar tratamento. Apesar de não haver cura específica, há como tratar e melhorar a saúde mental."

FLAGRANTE 

Alexandre Saadeb, coordenador do Ambulatório de Transtorno de Identidade de Gênero e Orientação Sexual do Núcleo Forense do Instituto de Psiquiatria (IPq), de São Paulo, chama a atenção para parafilias que, muitas vezes vistas como consensuais e de comum acordo, podem interferir na vida da pessoa de modo ruim, com sofrimento. "Há pessoas casadas que buscam o sadismo ou masoquismo, por exemplo, fora da relação. Ou o parceiro que topa, mas sem sentir prazer ou gostar. Passar por essa situação ou viver no anonimato diante de um ato que causa, no mínimo, estranheza é muito difícil e vale consultar um especialista de sexualidade."

A parafilia, apesar de pouco divulgada, deixa feridas, é um flagelo, traz infelicidade, padecimento e infortúnio. Saadeb lembra que não há como falar em cura, já que "o desejo em si, o comportamento em relação ao desejo, ninguém nunca vai conseguir mudar". É possível, sim, controlá-lo com a psicoterapia, sendo a técnica cognitivo-comportamental uma das mais indicadas, somada ao medicamento. "O que precisa ficar claro é que, se a parafilia for consensual, só fantasia, vivida na intimidade com acordo total ou parcial, sem agredir ninguém, ela não é crime. Do contrário, é, se o caso for de pedofilia, exibicionismo ou frotteurismo, por exemplo." O médico lembra que há muitos casos, mas ressalta que eles se apresentam depois de descobertos, quando são pegos em flagrante, na prática do crime, ou porque chegam a um grau de sofrimento insuportável.

ALGUMAS CATEGORIAS DE PARAFILIAS:

» Pedofilia
atração sexual por crianças

» Exibicionismo
desejo contínuo de exibir os órgãos sexuais a uma pessoa estranha ou desprevenida

» Fetichismo
implica uma excitação sexual exclusiva com o uso de objetos inanimados pelo próprio indivíduo (por exemplo, roupas íntimas e sapatos femininos)

» Masoquismo
obtém satisfação com o próprio sofrimento (aplicação de sofrimento a si mesmo)

» Sadismo
sente necessidade de criar na vítima uma sensação de terror (aplicação de sofrimentos aos outros)

» Voyeurismo
obtém prazer observando, à distância, as pessoas despirem-se ou envolvidas em atividade sexual

» Frotteurismo ou frottage
a excitação sexual ocorre com a fricção do corpo do homem que apresenta este desvio noutra pessoa qualquer, geralmente em locais de grande concentração de pessoas, como no ônibus, metrô ou em meio à multidão

» Transtorno transvéstico
prazer em se vestir com roupa do outro gênero

» Zoofilia
prazer em relação sexual comanimais

» Urofilia
excitação ao urinar no parceiro ou receber dele o jato urinário, ingerindo-o ou não

» Necrofilia
atração por ter relações sexuais com cadáver

» Coprofilia
fetiche pela manipulação de fezes, próprias ou do parceiro

Sites bloqueados

Recentemente, o presidente do Google, Eric Schmidt, anunciou a aplicação de uma nova tecnologia que permitirá ao grupo bloquear um grande número de buscas de pornografia pedófila na internet, em um artigo publicado no jornal britânico Daily Mail. De acordo com Schmidt, a pornografia pedófila será expurgada dos resultados de mais de 100 mil tipos de busca, graças à nova tecnologia. As restrições serão aplicadas inicialmente aos países de língua inglesa, mas nos próximos seis meses serão ampliadas ao restante do mundo e a outros 158 idiomas. O anúncio foi feito poucas horas antes de uma reunião sobre a segurança na internet, que ocorreu em 18 de novembro na residência do primeiro-ministro britânico, David Cameron, em Downing Street, com a presença de representantes do Google, Microsoft e outras empresas de internet. "Sem dúvida a sociedade nunca vai conseguir eliminar tal depravação, mas devemos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para proteger as crianças da maldade", escreveu Schmidt. "Programamos o Google Search com precisão para impedir a exibição em nossos resultados dos links com os abusos sexuais infligidos às crianças", explicou. 

Fonte:http://sites.uai.com.br/app/noticia/saudeplena/noticias/2014/01/20/noticia_saudeplena,147247/interesse-sexual-atipico-so-justifica-intervencao-clinica-quando-causa.shtml

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