PARA QUEM SE ACHA FRACASSADO NO AMOR


O manhoso urso amoroso do pintor José Cláudio

Sinto muito em decepcioná-la, você não é tão culpada assim pelo seu próprio fracasso amoroso. Vem comigo -na psicanálise selvagem- que eu explico.
O amor, muitas vezes, talvez nem dependa de mim, de você, de ninguém.
Não foi aquilo que você falou enviesado, besteirinha de nada, que provocou a desordem. Muito menos a paranoia com o seu corpo.
“Foi tudo culpa do amor” é apenas uma bela canção de Odair José, um dos meus ídolos do cancioneiro romântico.
Sequer foram os astros e a sua mania mística de achar que o retorno de Saturno é mais importante do que o eterno retorno do filósofo do bigode de quem engoliu as andorinhas de todos os verões.
Você talvez não tenha muito a ver com o insucesso na continuidade das coisas como você pensa. Sinto muito.
Um post à guisa de conformismo? Não, no, non, nada disso.
É que são milhares de cartas que se acumulam aqui no consultório de Miss Corações Solitários, a madame que socorre os aflitos neste blog do amor e da sorte, todas as cartinhas com o mesmo assunto: que passa, nunca houve tanto desencontro, “o problema sou eu?”, como pode? Não sou assim nenhuma mulher desprezível.
Não, o problema tampouco são os outros.
O inferno é mais embaixo.
Você ai que se vê toda completinha, pronta para o melhor da história, linda, gostosa, a tal da Física, tipo assim uma nação Pernambuco à espera da invasão do irreparável conde Maurício de Nassau, lindo, bonito e com todas as vantagens da companhia das Índias em busca do mascavo brasuca, se liga!
Que tal saber que século seculorum, um dos homens mais sábios do planeta, o doutor Lacan, quase um Freud mais palavroso e viajoso, já dizia, para o desespero e o calor fatal das bacurinhas de Paris e de Viena:
“Não há (sequer) a relação sexual”.
Nojento!
Mas é isso mesmo. O francês sustentava, como me explicam aqui os professores Marco A. Coutinho Jorge e Nadiá P. Ferreira, que a foda há, seja boa ou seja má.
Não existe, porém, é a complementaridade entre os sexos.
Sem essa de cara metade na cama.
Lacan radicaliza: não existe o outro sexo, portanto, necas de pitibirecas, não tem conversa, côncavo e convexo e outras melosidades.
A parada é outra: cada um fica inventando um gozo lá possível, isoladamente. O resto é lambuzamento e a ideia de viver junto, o consórcio, o aluguel, os vícios burgueses, os filhos, a sociedade, a satisfação, aí tudo dura ilusoriamente um tanto etc.
Doloroso.
Esse Lacan não sabe de nada do que é a vida como ela é, você diria. Já disse muito isso também na terceira vodka etc.
Apenas reflexões para a gente esquentar o coco juntos, me entenda. Reflexões.
Você sabe, minha nega, que, por mim, cuja educação sentimental é puro Mobral, não é qualquer sabedoriazinha iluminista que vai espalhar as brasas fumegantes e ignorantes do nosso churrasco do amor. Never more.
Diante, porém, de queixas tão generalizadas, matutei aqui com meus botões do Crato e o matulão de macho-jurubeba. É muito fácil ficar culpando apenas os metrossexuais, por exemplo, e outros tipos de fraquezas humanas.
É de arrombar se for tudo mais absurdo mesmo e sem jeito, como no pacote completo Alberto Camus da existência. Sem sequer uma viagem CVC de lua de mel a Porto Seguro.
É só para gente pensar, eu juro. Eu tenho fé que não é nada disso. E você, como tem se virado?

Fonte:http://xicosa.blogfolha.uol.com.br/2013/02/28/pedagogia-do-fracasso-sexual-e-amoroso/

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