O GOZO DO AMOR



Amor é mais que sexo. Sexo é a parte mais fácil. O difícil é amar. Viagra produz amor? O que produz?

Rollo May, psicólogo e psicanalista norte-americano, comenta num de seus livros que muitos homens que apresentam queixa de impotência sexual têm, na verdade, não um problema físico ou glandular (hormonal), mas sim querem que seu corpo “ame”, quando eles não amam. Querem o prazer corporal sem possuir o emocional equilibrado.

Muitos casais funcionam assim, infelizmente, perdem o afeto, o carinho, a ternura entre eles, e querem ter bom funcionamento sexual. Para o homem talvez seja mais fácil conseguir ter ereção, desejo sexual, orgasmo, independentemente se durante o dia brigou com a esposa ou se é ou não uma pessoa afetiva. É mais fácil o homem separar na sua mente o desejo sexual da necessidade afetiva e querer sexo mesmo sem experimentar grandes afetos pela mulher.

Para a maioria das mulheres isso é difícil. Geralmente para elas o prazer sexual precisa primeiro do prazer emocional, do carinho não sexual. Elas podem perder o desejo sexual com alguma facilidade, se não forem nutridas afetivamente pelo companheiro. É verdade tem havido uma desvalorização da mulher feita por elas mesmas já que hoje muitas querem sexo pelo sexo em si, independente se obtêm ou não amor. Que pena.

O gozo do amor é diferente do gozo apenas do corpo. O prazer que o amor produz não substitui o que o sexo puro faz. Sexo é apenas sexo. Mas amor é tudo, e se há amor com o sexo, então é tudo mesmo de prazer que você pode obter numa relação humana.

A juventude (adultos também) “ficam”. “Ficar” é experimentar o prazer do corpo e no corpo sem compromisso e sem amor. Há prazer nisso, é claro. Mas é fugaz. Deixa um vazio, que empurra para “ficar” com outra pessoa, no mesmo dia, na mesma noite. Numa reportagem na TV um rapaz disse com orgulho: “Hoje fiquei com 8 garotas!” Seu coração devia estar com um baita vazio, e talvez esse vazio é que o tenha levado a buscar outra e mais outra garota. É como uma droga. Promete a paz, mas não tem poder de dá-la.

“Dom Juan”, o que tem várias mulheres, é o que não tem nenhuma, porque as que tem, as tem superficialmente. Num relacionamento que vale a pena tem que existir um aprofundar de sentimentos, de vulnerabilidade, de conhecimento mútuo. “Ficar” nunca promove isto, por isso fica o vazio, a superficialidade e a solidão. E também o cinismo.

O gozo do amor é que permite o aprofundamento da afetividade entre duas pessoas. É este aprofundamento que pode favorecer o bem estar, o prazer duradouro, a completude. Mesmo assim permanece um vazio em cada um de nós somente preenchido pela espiritualidade.

Se você tem o gozo sem amor, não se contente com isso. Não pense que pílulas como o Viagra irão solucionar. Ereção peniana e ejaculação é apenas uma parte do prazer que também satisfaz o coração. Aliás, muita gente encontra este prazer do coração sem nenhuma sexualidade genital! A maioria das pessoas que se queixa de sexualidade e afetividade nos consultórios médicos e psicológicos são justamente as que têm tido muito sexo há anos. Se praticar sexo ajustasse as pessoas do ponto de vista emocional ou psicológico, nossa sociedade hoje seria a mais equilibrada de todas as eras!

Você quer amor ou sexo? O amor vem pela afetividade, pela ternura, pela doação de si, pela amabilidade, pelo perdão, pela fidelidade, pela confiabilidade, e isto pode conduzir à sexualidade com o prazer geral do amor, e não só do corpo.

Dr. Cesar Vasconcellos de Souza


Fonte:http://www.portalnatural.com.br/s

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