AMOR TEM PRAZO DE VALIDADE ?


Aqui entre você e eu: dá uma olhada no seu homem, no seu namorado, no seu marido. Repara nele fritando um ovo, coçando o cocuruto, fazendo xixi de porta aberta, chegando do trabalho, saindo pra comprar um pão, falando bobagem com os amigos. Dá uma olhada nele bocejando, nele escovando os dentes, nele metendo o cotovelo na mesa. E quando assiste futebol, não te escuta e espia uma mulher mais dotada que passou por ele na rua? Olha isso tudo e diz cá um negócio: você e ele, é pra sempre?

Você está certa disso? Posso perguntar?
Agora, aqui entre nós de novo: lembra do seu último rapaz. Aquele cara que foi tudo antes do seu atual. O ex. Cava na sua cuca a lembrança de quando o ex não era ex. Quando o ex era o seu futuro. Naquela época, ele era para sempre?
Você estava certa disso, não tava? Posso perguntar?
Ah, meninas, meninas. O amor matou o amor!
POSTO QUE É CHAMA, METE ÁGUA!
Hoje eu quero falar sobre coisas sombrias e coisas rosas.
Fiquei pensando nisso tudo depois que esbarrei com um livro do Luc Ferry. O Luc Ferry, vocês conhecem? Ah, o Luc Ferry é bala! É fera radical! E um filósofo do coração. Escreveu em “A Revolução do Amor” que a culpa é nossa. Nós matamos o amor. Como?


Assim: lembra que na pré-história, no tempo dos dragões e cavaleiros (época que mais ou menos precede a 2ª Guerra Mundial), o povo só se casava movido por interesses práticos ou pela vontade do macho. O pai escolhia o destino da filha. O sentimento era um detalhe. Não existia amor nem em SP, nem em Catolé do Rocha. Tudo na base do acerto.
Pois bem. Hoje, não!
Hoje a gente pode viver relacionamentos unicamente cimentados por querer o outro. Hoje você pode e deve se casar por amor. O Romeu e a Julieta não teriam nada pelo que sofrer na Guarulhos dos anos 2010.
Só que isso deu numa zebra! Fez com que querer o outro fosse a coisa mais insustentável do mundo. Antes, nos tempos do Pôncio Pilatos, as coisas duravam até que a morte promovesse divórcios irredutíveis (mesmo que as pessoas só vivessem uns 27 anos). Os romances eram infelizes mas duravam. Agora que a gente tem a possibilidade de ser feliz, de viver um amor livre e espontâneo, olha só que beleza:
1) Não somos tão felizes assim e
2) O amor não dura!
Ó! Você, neste momento, mete uma mãozinha na têmpora, mete a outra mãozinha na têmpora restante, faz cara de desespero e dá um grita de fim do mundo, à Munch: “Ah, a dor, a dor! 2012! Acabou-se tudo!”
E foi assim, moças, foi assim e sem menos que o Luc Ferry assassinou, com requintes de intelectualidade, o seu e o meu relacionamento.

MAS…Mas eu dizia que pensava nessa catástrofe toda depois de esbarrar com o livro do Ferry (acho que não tem tradução ainda no Brasil, a minha edição é portuguesa). Acontece que o Ferry anda onipresente na minha vida. E por um desses esbarrões do destino, eis que tropeço no grande filósofo quase que carnalmente. Ele esteve em São Paulo estes dias. Veio a palestrar. Palestrou. E quem o viu palestrando (você pode ver também clicando aqui), o viu dizer que, apesar de tudo, amar ainda vale a pena.
Sim, estamos mesmo meio perdidos, meio com medo de tudo (diga pra mim se você não tem medo de tudo: de perder o emprego, da violência, do aquecimento global, de ser infeliz, de não ser amada?). Mas é isso o que torna, ao mesmo tempo, tão importante você ter fé no amor. Num mundo com a religião meio capenga, com a política meio sem charme, num mundo meio qualquer coisa, a gente precisa acreditar em algo 100%, no último reduto do humano.
O amor…
CIENTISTAS NÃO COMPROVAM
Isso tudo me fez pensar em números e em cientistas. Moças, eu sou fã dos cientistas do amor. Eu não quero saber se o táquion corre a passos de moonwalk ou se o nêutron andou pregando peças no Einstein. Quando eu olho para um moço de jaleco branco, eu quero um moço que mire o microscópio rumo ao coração do universo. Eu quero soluções românticas. Porque, no fim, o mundo gira mesmo em torno da paixão.
LUC FERRY E ELISABETH BADINTER, DOIS ENTENDIDOS NO ASSUNTO
Portanto, fui ver o que os cientistas tinham a dizer sobre a duração dos relacionamentos.
1) Uma rápida pesquisa em uma universidade americana me diz que pesquisadores de lá apostam que a paixão dura dois anos. Dois anos e meio com alguma sorte química. Sim, sim, garotas. Você e eu, ela e ele, somos quimicamente inviáveis.
2) Já nos anos 60, uma psicóloga americana sussurrou que a paixão poderia sobreviver até uns três anos, mas não mais. Mas por que, você, eu e todo mundo perguntamos? Porque o cérebro da gente não aguenta ficar excitado por muito tempo. Ele precisa broxar de vez em quando, precisa de um cigarrinho amigo de vez em quando.
3) E tem a francesa, que não é cientista, mas filósofa, e se chama Elisabeth Badinter. Ela taca os maiores baldes de água congelante no nosso sangue madaleno e quente. Diz que o futuro dos relacionamentos é um não-futuro. Diz que no tempo em que viver um grande amor era coisa proibida, uma coisa Abelardo e Heloísa, uma coisa excitante, escondida, aventuresca, nessa época valia a pena lutar pelo romance. Hoje, agora que tudo pode, perdeu a graça. Não há mais combustível para a paixão. Diante de qualquer espirro, a vela murcha e qualquer um abandona a caravela em busca de uma nova canoa.
Eu li e eu escutei tudo isso. E sabe o que eu acho, meninas? Eu acho que tá todo mundo certo. Mas, olha só, tá todo mundo errado também!
Verdade, muito provavelmente esse cara que tá aí ao seu lado um dia será passado. Será ex. Quanta gente separando! E os divórcios estão mesmo vencendo no primeiro turno, batendo na casa do 60% na Europa. Mas…
Mas esse povo todo esquece de duas coisas lindas do sujeito exageradamente humano:

1) A primeira é que todo mundo no planeta tem a maravilhosa capacidade de se considerar uma exceção. Todo mundo acha que com a gente vai ser diferente. O amor vai durar!
"COMO SE FOSSE A PRIMEIRA VEZ", UM FILME PARA INSPIRAR A AMNÉSIA CRIATIVA
2) E o segundo esquecimento é esquecer que a gente esquece! Sim, sim! O ato de borrar a mente, de passar um branquinho no coração, de restartar a alma! Sim, moças! Eu acredito em amores eternos porque, ora só, porque a gente é capaz de esquecer! E porque somos seis bilhões de exceções! Sim, sim! Claro! A gente toda hora se esquece dos nossos amores atuais.
Até que, numa manhã qualquer, o sujeito ali, acordando ao seu lado com o despertador no ouvido e o mau humor na garganta, poxa, nesse dia, esse sujeito ali, não sei por que, não sei como, nesse dia você olha pra ele e é capaz de dizer, num grito estarrecedoramente silencioso: “poxa, eu amo ela, eu amo ele”.
Isso se chama apaixonar-se novamente. Pela mesmíssima pessoa de todos os dias.
E é por isso, minhas garotas, porque você e eu somos capazes de nos apaixonar de novo e de novo e de novo pela mesma pessoa que eu digo: esquecer é a grande salvação do amor.

Fonte :http://colunas.marieclaire.globo.com/falecomele/2011/10/03

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