POR QUE INCOMODA TANTO QUANDO UMA MULHER NAMORA UM HOMEM MAIS NOVO? E O QUE ESSES RELACIONAMENTOS SINALIZAM?
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_5dfbcf92c1a84b20a5da5024d398ff2f/internal_photos/bs/2026/m/d/xz9IaTRBKOIFwuPBn5Pw/002.jpg)
Por que incomoda tanto quando uma mulher namora um homem mais novo?
Da novela ao mundo real, a colunista Adri Coelho Silva questiona o preconceito contra mulheres que vivem amores com diferença de idade e revela quem ainda dita as regras do desejo feminino
Por
Adri Coelho Silva
16/10/2026 04h11 Atualizado há 2 semanas
Afinal, a menos de 3 meses de 2027, o amor e o desejo têm idade ou são sem idade? A sua resposta vale para ficção e realidade ou só para um dos dois? Responda para você, com sinceridade. Eu trago essa pergunta na carona de uma cena recente da novela Quem Ama Cuida, da Globo, em que a personagem Dora, interpretada por Mariana Ximenes, comenta sobre os olhares preconceituosos que recebeu simplesmente por estar com o namorado, mais novo que ela.
Dora conversava com Patrick, homem que sai com uma mulher bem mais nova que ele. Os dois falavam sobre o preconceito etário ser maior quando a mulher é a mais velha do par. Levei para o @vivaacoroa, e vale ler os comentários por lá, um território livre para expressão. Ali, uma mulher de 58 anos, casada com um homem de 43 anos, contou que sofre preconceito, sim. “As pessoas variam de opinião, ou dizem que sou rica e banco ele, ou que ele vê em mim a figura materna que não teve.” Outra coroa dividiu uma técnica para amenizar o preconceito, “não dou a mínima”, ela disse.
A forma como reagimos diz muito sobre nós e eu apoio ela, concordo, ela faz bem. No entanto, se há a reação, há o preconceito. E ele é o que tem que ser combatido. Mais de uma pessoa comentou que as fontes do etarismo, não raro, são as próprias mulheres. Machuca mais ser julgada por outra mulher? Eu acho que sim. Preconceito não tem corte de gênero…e nem de idade, infelizmente. E mais: atravessa o tempo.
No último mês, chegou ao Brasil a tradução do livro A carne, da escritora espanhola Rosa Monteiro. Na obra, lançada originalmente em 2016, está o relacionamento de uma mulher mais velha e de um homem mais novo. Sem spoiler, era para ser só um caso, com acordo comercial mesmo, ele era gigolô. Mas a relação cresce… O lançamento da tradução rendeu entrevistas da autora. Perguntaram a ela se “houve alguma mudança na percepção pública do desejo de uma mulher de 60 anos nesses dez anos entre a publicação de A Carne e sua chegada ao Brasil. A resposta: “Não sei se melhoramos nisso ou não. Dez anos também não é muito tempo para mudar preconceitos profundos”. Muito lúcida.
É que o relacionamento entre homens mais velhos e mulheres mais novas têm aceitação histórica. Era normalizado mesmo quando era absurdamente absurdo. Falo dos tempos dos inexplicáveis casamentos com infantas (tinha o entre infantes também). Enquanto isso, o relacionamento entre mulheres com mais idade e homens com menos idade ainda “causa” mesmo a menos de 3 meses de 2027. Como explicar isso? Vou usar uma palavra só: patriarcado.
Fonte:https://vogue.globo.com/sua-idade/noticia/2026/10/por-que-incomoda-tanto-quando-uma-mulher-namora-um-homem-mais-novo.ghtml
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_5dfbcf92c1a84b20a5da5024d398ff2f/internal_photos/bs/2026/u/F/74yzxJS5ytL8znAI315g/kris-jenner-com-corey-gamble-e-fatima-bernardes-com-tulio-gadelha-3.jpg)
Homens mais jovens, mulheres mais velhas: o que esses relacionamentos sinalizam?
Especialistas analisam como autonomia, prazer e mudanças culturais estão redefinindo as escolhas afetivas femininas
Por
Giuliana Cury
27/01/2026 07h58 Atualizado há 9 meses
Durante muito tempo, a diferença de idade nos relacionamentos não apenas foi aceita como, ainda, considerada o ideal. Mas, claro, desde que seguisse uma regra básica: homens mais velhos, mulheres mais jovens. Essa lógica, entretanto, vem sendo quebrada com novos modelos de relacionamento.
Cada vez mais mulheres estão se permitindo desejar — e assumir — relações com homens mais jovens. Não como exceção meramente provocativa, fetiche passageiro ou fase, mas como escolha consciente e carregada de sentimento. Segundo a psicóloga e terapeuta sexual Ana Canosa, membro do conselho da Sociedade Brasileira de Sexualidade Humana (SBRASH), o fenômeno não é exatamente novo. O que é novo é a ausência — ou ao menos a redução — da culpa. “Mulheres sempre se relacionaram com homens mais jovens. A diferença é que hoje elas conseguem assumir essas relações publicamente, sem precisar se esconder ou justificar”, afirma.
No fim do século XIX, Chiquinha Gonzaga viveu por décadas com um homem 36 anos mais jovem e, para reduzir o julgamento social, o apresentava como filho. Hoje, embora olhares curiosos e comentários maldosos ainda existam, mulheres públicas que assumem relações assim, abrem caminho para outras se fortalecerem ao confrontarem padrões tradicionais de gênero, desejo e envelhecimento. Pense em Brigitte Macron, 72, e Emmanuel Macron, 48; Kris Jenner, 70, e Corey Gamble, de 45; Sabrina Sato, 44, Nicolas Prattes, 28; Fátima Bernardes, 63, e Túlio Gadêlha, 37. Sem dúvida, estamos diante de uma mudança nas relações.
Autonomia delas e o borogodó deles
Não dá para falar desse movimento sem falar de dinheiro, trabalho e independência. A autonomia financeira, especialmente a partir dos 40 e 50 anos, reorganiza completamente a área afetiva feminina. “Durante séculos, as relações das mulheres foram estruturadas pela lógica da sobrevivência, da estabilidade e do cuidado”, explica Ana Canosa. “Quando isso deixa de ser o eixo, entra em cena o prazer, a afinidade, o desejo.”
A psicóloga e sexóloga Gabriela Marinho observa essa virada diariamente no consultório. Para ela, a idade deixou de ser um valor feminino central. “Hoje, a mulher madura se conhece melhor, sabe do que gosta, do que não tolera mais e entende que não precisa de um parceiro para se sustentar. Isso muda completamente o critério de escolha.” A dependência financeira deixa de ser pilar e a afinidade emocional ou/e sexual ocupa o espaço.
Nesse novo modelo, a diferença de idade perde força, e o que importa, realmente, é a qualidade da troca. E, para muitas mulheres, homens mais jovens entregam algo que estava ausente nos relacionamentos tradicionais: disponibilidade emocional, escuta real, menor rigidez nos papéis de gênero, mais presença. “Homens mais jovens tendem a disputar menos poder e controle”, afirma Gabriela. “Eles cresceram em contextos mais atravessados pela discussão de igualdade de gênero, viram mães independentes, mulheres se separando, se reconstruindo.” Isso se reflete em relações menos hierárquicas e com mais espaço para negociações.
Além disso, Ana Canosa observa um cansaço recorrente entre mulheres que se relacionam com homens da mesma idade ou mais velhos, citando que eles apresentam um descuido com a saúde emocional, resistência à terapia, aposentadoria precoce do desejo... “Já os mais jovens costumam trazer frescor, vitalidade e maior abertura para o prazer e para experiências novas”, diz.
Na sexualidade, essa diferença se intensifica. Homens mais jovens, em geral, lidam com menos ameaça narcísica diante da experiência da mulher madura. “Há menos ansiedade de desempenho e mais curiosidade”, aponta Ana. “Isso favorece uma sexualidade mais horizontal.” Gabriela completa: “Eles costumam aceitar melhor o diálogo, os brinquedos sexuais, a comunicação clara sobre desejo”, diz. Aliás, isso é algo que muitas mulheres só conseguem viver depois dos 40, quando o autoconhecimento finalmente abre espaço para esses sentimentos.
Novas descobertas
Para a psiquiatra e psicoterapeuta Nina Ferreira, existe um ponto-chave muitas vezes ignorado quando se trata desse assunto: a idade subjetiva. “Há mulheres que envelhecem biologicamente, mas mantêm um temperamento curioso, aberto ao novo, à aventura”, explica. “Elas se reconhecem mais em homens com menos idade porque compartilham uma mesma forma de estar no mundo.”
O relacionamento, nesse caso, funciona como uma ponte simbólica para outras vidas possíveis. Novas experiências. Novas referências. “É como beber de uma nova fonte”, diz Nina. “Isso pode gerar um sentimento de renascimento, de novos ciclos.” Mesmo quando não é uma relação para sempre, ela pode ser profundamente transformadora. Muitas mulheres redescobrem desejos, sonhos e partes de si que haviam sido colocadas para escanteio em relações previsíveis e pouco estimulantes.
E o entretenimento, com seu olhar que aponta tendências de comportamento, veio para legitimar esse movimento. Séries e filmes recentes têm mostrado mulheres maduras fora do papel de avó, coadjuvante ou figura assexuada. Elas assumem personagens centrais, mais complexas, desejantes e desejadas, que vivem romances com homens mais jovens sem pedir desculpas. E esse espelhamento é importante. Gabriela observa que muitas mulheres passam a se enxergar mais bonitas e potentes quando percebem esse desejo refletido, seja na ficção ou na vida real. “Elas voltam a se ver como mulheres interessantes, desejáveis.” Um contraste forte com relações anteriores, em que muitas deixaram de ser vistas e valorizadas dessa forma.
Desafios de cada dia
Quem vive esse tipo de relacionamento (ou conhece alguém) sabe bem que não é nada simples. Diferenças de momento de vida, expectativas futuras, pressão social, olhares atravessados da família e do trabalho continuam sendo desafios reais. “A sociedade ainda carrega muito preconceito com mulheres que se relacionam com homens mais jovens”, lembra Gabriela. “Essa mulher precisa estar emocionalmente fortalecida para que isso não contamine a relação.”
Nina reforça, lembrando que o casal precisa conversar sobre o tema de forma contínua. “A diferença de idade vai aparecer. Negar isso só fragiliza a relação.” E ela faz um alerta importante sobre validação: sentir-se desejada pode ser potente, mas não pode ser o único alicerce da autoestima. “O envelhecimento feminino ainda é muito cruel culturalmente. Precisar do olhar do outro para se sentir viva mostra o tamanho dessa ferida social.”
Escolher um parceiro mais jovem (ou mais velho, ou da mesma idade), não se trata de idade, de números. Na verdade, o que estamos vendo é uma mudança cultural e social da mulher. Depois de cuidar de todos, de sustentar relacionamentos insatisfatórios para agradar os outros, de cumprir expectativas alheias, agora ela se autoriza a fazer a própria escolha, baseada única e exclusivamente no seu desejo.
Talvez seja por isso que essas histórias ainda incomodem, porque elas desmontam uma lógica antiga de que o desejo feminino tem prazo de validade e de que maturidade tem a ver com contenção. Prazo de validade, quem tem é esse pensamento, não .
Fonte:https://vogue.globo.com/sua-idade/noticia/2026/01/homens-mais-jovens-mulheres-mais-velhas-o-que-esses-relacionamentos-sinalizam.ghtml
Comentários
Postar um comentário