FLUIDEZ SEXUAL: 'SOMOS LIVRES PARA AMAR' - PRESTES A ENCARNAR PIAF EM MUSICAL,LAILA GARIN FALA DE SEXUALIDADE FLUIDA
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Prestes a encarnar Piaf em musical, Laila Garin fala sobre sexualidade fluida: 'Somos livres para amar'
Atriz estreia montagem em São Paulo e fala sobre pontos de identificação com a vida de um dos maiores ídolos da França
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19/07/2026 04h30 Atualizado há um mês
Para interpretar Elis Regina no musical em homenagem à cantora lançado em 2013, Laila Garin precisou desbancar cerca de 200 candidatas que sonhavam com o papel. A escalação foi um golaço. Logo no início da temporada, ela arrebatou o público com sua interpretação, e os ingressos se esgotavam com três semanas de antecedência. Todos queriam ver a baiana de olhos azuis e cabelos ruivos encaracolados se transformar na Pimentinha. Laila já tinha uma extensa carreira como atriz àquela altura, mas recebeu, com a montagem, as credenciais para o estrelato. Um status que garantiu a ela o convite direto para protagonizar “Piaf — Eu não me arrependo”, seu novo musical que estreia no próximo dia 7, no Teatro Bradesco, em São Paulo, e chega ao Rio em outubro, no Teatro Riachuelo.
Dirigida por Sérgio Módena e com texto de Newton Moreno, a montagem é uma produção da Aventura, que tem sucessos como “Hair”, “Chacrinha” e o próprio “Elis, a musical” na cartela. Diretora artística e produtora geral do espetáculo, Aniela Jordan conta ter pensado “imediatamente” no nome de Laila quando o projeto começou a se materializar. “É uma superatriz, com um canto lindíssimo. Tem tudo o que precisávamos para uma obra dramática como esta”, diz Aniela, empolgada com o que já viu nos ensaios. “Fizemos um primeiro ‘corrido’, e todo mundo chorou. Ela incorpora a embocadura da Piaf. É um monstro em cena.”
Confira fotos de Laila Garin caracterizada como Édith Piaf
O convite para o novo trabalho guarda, ainda, uma doce coincidência do destino. Laila vinha se preparando há anos para propor uma peça sobre a cantora francesa que morreu em 1963, aos 47 anos, e entrou para a História como um dos maiores ídolos de seu país. Com pai francês e mãe baiana, a atriz cresceu ouvindo as canções de Édith Piaf e tem familiaridade com o repertório, mas precisava reunir as “condições emocionais” necessárias para mergulhar na intensa história. Essa força se manifestou justamente no ano em que completa três décadas de carreira e foi acrescida de uma imersão na vida da homenageada, com leituras de publicações, pesquisas em vídeos e até uma visita ao túmulo da artista, em Paris.
O mergulho em águas tão profundas deu à atriz, de 48 anos, a dimensão necessária para a abordagem proposta pelo espetáculo, que almeja fugir da pecha da cantora martirizada por paixões avassaladoras e não correspondidas. A narrativa proposta inclui até mesmo aspectos pouco conhecidos da trajetória de Piaf, como a sua colaboração com a Resistência Francesa, durante a Segunda Guerra Mundial. “É a saga de uma heroína, porque ela teve uma trajetória que começou nas ruas, numa miséria muito grande, e terminou como estrela mundial”, comenta Laila. “Uma artista e uma mulher que escolheu fazer o que quis sem se dobrar às convenções. Não se casou, não teve filhos e comandou a própria carreira. Também era livre sexualmente.”
Dar conta da personagem, reconhece a atriz, é um “tour de force”, com novos desafios em relação a trabalhos anteriores. “Ela está em cena o tempo todo, é uma narradora. E tem a questão técnica de trazer a voz de Piaf para o português”, comenta. Quanto às músicas, a maior parte será executada em francês, acompanhada por legendas. “São canções muito icônicas. O público vai gostar de ouvi-las no idioma original.”
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Para além dos aspectos profissionais, não são poucos os pontos de identificação entre a intérprete e a homenageada. “O principal deles é não querer morrer. Faço teatro e sou artista por isso”, comenta Laila. “E, com ela, foi assim. Cantou até cair dura (no palco).” Mas há, acima de tudo, o ímpeto libertário na hora de enfrentar a normatividade. “Até hoje somos marginalizadas por sermos artistas. Há cerca de dez anos, quando era casada com meu ex-marido (o iluminador francês Hugo Mercier), fomos alugar um apartamento, e a dona da imobiliária, ao saber que eu era atriz, me tratou como se fosse uma prostituta.”
Uma vez casada, Laila cogitou a maternidade, mas preferiu não levá-la adiante. “É uma pressão tão grande sobre nós, que cheguei a me perguntar se era uma mulher inteira”, recorda-se. “Mas não tenho vontade de ter filhos e nem me arrependo dessa escolha.” As mesmas forças que a fizeram questionar essa inteireza trouxeram dilemas quanto à vida depois da separação, em 2021. “Me vi caindo em discursos convencionais de mulheres mais velhas separadas e condenadas”, diz ela, que é bissexual e tem hoje uma namorada cujo nome prefere não dizer. “Já havia me relacionado com mulheres antes do casamento e voltar a isso acabou sendo um marco de afirmação do quanto somos livres para amar. Precisei desse lembrete.”
Mais Piaf, impossível.
Fonte:https://oglobo.globo.com/ela/gente/noticia/2026/07/19/prestes-a-encarnar-piaf-em-musical-laila-garin-fala-sobre-sexualidade-fluida-somos-livres-para-amar.ghtml
- Atração flexível: O desejo e o interesse romântico ou sexual podem mudar com o tempo, o contexto ou as experiências pessoais.
- Não é uma escolha: Assim como outras orientações, a fluidez reflete uma manifestação legítima do desejo humano, e não uma decisão consciente ou confusão.
- Diferença de orientação fixa: Enquanto orientações como a homossexualidade ou heterossexualidade costumam ser estáveis para a maioria, a pessoa com sexualidade fluida transita por diferentes preferências ao longo da jornada.
- Comportamento vs. Identidade: A fluidez sexual descreve a dinâmica da atração e pode ocorrer com qualquer pessoa, independentemente de rótulos.
- Bissexualidade: É uma orientação específica voltada para a atração por mais de um gênero. Uma pessoa bissexual pode vivenciar a fluidez, mas nem toda pessoa com sexualidade fluida se identifica como bissexual.
Entenda a sexualidade fluida e o que a difere da bissexualidade
Saiba como a fluidez sexual funciona e entenda por que é errado usá-la como justificativa para discursos normativos
22/12/2022 02:00- A discussão e o entendimento sobre todas as nuances que existem na sigla LGBTQIAPN+ estão cada vez mais comuns. No que tange às orientações sexuais, um dos termos que tem ganhado visibilidade e ainda gera muitas dúvidas é a sexualidade fluida, que esteve sob os holofotes por conta de declarações de artistas como Alanis Guilen e Vitão.
De acordo com o terapeuta sexual André Almeida, a fluidez sexual é um termo alcunhado por Lisa Diamond para designar uma mudança natural, ao longo da vida dos indivíduos, de orientação, desejo, expressão sexual e identidade. Essa fluidez acontece como parte da complexidade do que é a sexualidade, dado que ela é um produto de fatores fisiológicos e experienciais.
“Assim como acontece com outros aspectos da nossa personalidade, vivenciar coisas novas, se expor a novas culturas, aprender a apreciar novas estéticas e belezas e descobrir novas identidades que lhes vistam melhor podem levar um indivíduo a mudar — em menor ou maior grau e de forma natural — sua percepção acerca da própria orientação e identidade”, explica.
André elucida que é comum vivenciar esse tipo de questão ao longo da vida, uma vez que todos estão em constante mudança em nível fisiológico e experimental. Além disso, ele destaca o fato de que a sexualidade é uma estrutura complexa. Qualquer tentativa de reduzi-la e determiná-la pode ser uma empreitada falida.
“As pessoas descobrem, todos os dias, novas formas de expressão que melhor comportem sua subjetividade. Dessa forma, há pessoas que irão vivenciar maior fluidez e outras que vão passar por uma maior ‘estabilidade’. É importante que aprendamos a conviver com as mudanças. Tudo é válido”, pontua.
A fluidez é NATURAL
Em uma sociedade extremamente normativa que, muitas vezes, chega a tratar diferentes orientações de forma patológica (como se fossem doenças ou desvios), o psicólogo faz questão de ressaltar: uma possível mudança de sexualidade, dentro da fluidez e da subjetividade na qual ela está englobada, acontece de forma natural e espontânea, podendo ser em maior ou menor grau ou nem mesmo acontecer.
“Há muitos estigmas em cima do conceito da fluidez sexual. Há pessoas que o utilizam para justificar movimentos de ‘curas’ e ‘tratamentos’ que têm por objetivo “retificar” orientações, encaixando-as no que foi atribuído enquanto saudável (lê-se heterossexual e cisgênero)”, diz.

Segundo Almeida, por conta disso, muitos movimentos LGBTQIA+ passaram a trazer uma visão da sexualidade de uma forma mais determinística como uma resposta válida para ratificar sua existência, a naturalidade de suas vivências e, acima de tudo, ir de encontro com ideias que ameaçavam sua própria liberdade sexual e seu modo de ser no mundo.
Fluidez sexual não é bissexualidade
Por fim, uma confusão que muitas pessoas fazem é confundir a sexualidade fluida com orientações, como a bissexualidade. É importante entender que tratam-se de coisas diferentes.
“A fluidez sexual pode ser experienciada por qualquer indivíduo dentro de qualquer orientação ou identidade. A bissexualidade, por outro lado, é uma orientação. Existem pessoas bissexuais que podem experienciar uma fluidez sexual. Outras, não necessariamente”, conclui.
Fonte:https://www.metropoles.com/colunas/pouca-vergonha/entenda-a-sexualidade-fluida-e-o-que-a-difere-da-bissexualidade
Sexualidade fluida

Parte da série sobre Orientação sexual
CategoriaA fluidez sexual descreve uma ou mais alternâncias na sexualidade ou na identidade sexual. A orientação sexual é estática, estável e imutável para a grande maioria das pessoas, mas alguns estudos indicam que algumas pessoas são suscetíveis de passar por mudanças de orientação sexual, o que é mais frequente entre mulheres.[1] Não há evidências científicas de que a orientação sexual possa ser alterada através da psicoterapia.[2][3] A identificação sexual pode mudar ao longo da vida de um indivíduo e pode ou não se alinhar ao sexo biológico, comportamento sexual ou orientação afetiva real.[4][5][6]
O consenso científico é que a orientação sexual não é uma escolha.[7][8][9] Não há consenso sobre a causa exata do desenvolvimento de uma orientação sexual, mas as influências genéticas, hormonais, sociais e culturais foram examinadas.[10][11] Os cientistas acreditam que isso é causado por uma complexa interação de influências genéticas, hormonais e ambientais. Embora nenhuma teoria isolada sobre a causa da orientação sexual tenha ganhado amplo apoio, os cientistas são a favor de teorias baseadas em biologia.[12] Pesquisas ao longo de várias décadas demonstraram que a orientação sexual varia ao longo de um continuum, da atração exclusiva ao sexo oposto à atração exclusiva ao mesmo sexo.[13]
Os resultados de um estudo longitudinal em larga escala de Savin-Williams, Joyner e Rieger (2012) indicaram que a estabilidade da identidade da orientação sexual durante um período de seis anos era mais comum que a mudança, e que a estabilidade era maior entre homens e aqueles identificando-se como heterossexual.[14] Embora a estabilidade possa ser mais comum que a mudança, ocorrem mudanças na identidade da orientação sexual e a grande parte das pesquisas indica que sexualidade feminina é mais fluida que a masculina. Isso pode ser atribuído à maior plasticidade erótica das mulheres ou a fatores socioculturais que socializam as mulheres para serem mais abertas à mudança. Devido às diferenças de gênero na estabilidade da identidade da orientação sexual, a sexualidade masculina e feminina não é tratada como funcionando pelos mesmos mecanismos. Os pesquisadores continuam analisando a fluidez sexual para determinar melhor sua relação com os subgrupos de orientação sexual (bissexuais, lésbicas, gays etc.).

Bandeira do orgulho abrossexual[15][16] O uso do termo fluidez sexual foi atribuído a Lisa M. Diamond, especialmente em relação à sexualidade feminina.[17][18] Vale lembrar que nem toda fluência sexual ou fluxo afetivo é uma abrossexualidade, por mais que permutáveis, visto que a fluidez pode caracterizar uma mudança identitária durante um período de vida de alguém, o que não indica que a atração sexual da pessoa flua ou seja fluido regularmente, não significa que a pessoa seja sexualmente fluída, como acontece com abrossexuais, sendo abrossexual aquele que flui de tempos em tempos sua sexualidade, vivenciando a fluidez.[19][16] O termo também pode abranger indivíduos que são de orientação flexível ou bi-curiosa, como homoflexível e héteroflexível.[20][21][22][23][24][25]
Fundo
Frequentemente, a orientação sexual e a identidade sexual não são diferenciadas, o que pode ter um impacto na avaliação precisa da identidade sexual e se a orientação sexual pode ou não mudar; a identidade da orientação sexual pode mudar ao longo da vida de um indivíduo e pode ou não se alinhar com o sexo biológico, o comportamento sexual ou a orientação sexual real.[4][5][6] Enquanto o Centro de Dependência e Saúde Mental e a Associação Americana de Psiquiatria declaram que a orientação sexual é inata, contínua ou fixa ao longo da vida de algumas pessoas, mas é fluida ou muda ao longo do tempo para outras,[26][27] a Associação Americana de Psicologia distingue entre orientação sexual (uma atração inata) e identidade de orientação sexual (que pode mudar a qualquer momento da vida de uma pessoa).[28] Cientistas e profissionais de saúde mental geralmente não acreditam que a orientação sexual seja uma escolha.[7]
A Associação Americana de Psicologia afirma que "a orientação sexual não é uma escolha que pode ser alterada à vontade, e que a orientação sexual é provavelmente o resultado de uma complexa interação de fatores ambientais, cognitivos e biológicos... é moldada desde tenra idade...[e as evidências sugerem] biológicos, incluindo fatores hormonais genéticos ou inatos, desempenham um papel significativo na sexualidade de uma pessoa".[9] Eles dizem que "a identidade da orientação sexual - não a orientação sexual - parece mudar via psicoterapia, grupos de apoio e eventos da vida".[28] A Associação Americana de Psiquiatria diz que "os indivíduos talvez se conscientizem, em diferentes momentos de suas vidas, de serem heterossexuais, gays, lésbicas ou bissexuais" e "se opõem a qualquer tratamento psiquiátrico, como terapia 'reparativa' ou de 'conversão', baseada em a suposição de que a homossexualidade em si é um distúrbio mental ou com base na suposição prévia de que o paciente deve mudar sua orientação homossexual". Eles, no entanto, incentivam a psicoterapia afirmativa gay.[27]
Em Sexual Fluidity, concedido com o Prêmio Distinto em Livros de Questões Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros de 2009 pela Divisão 44 da American Psychological Association, Diamond fala da sexualidade feminina e tenta ir além do idioma das "fases" e "negação" ", argumentando que os rótulos tradicionais de desejo sexual são inadequados. Para algumas das 100 mulheres não heterossexuais que ela seguiu em seu estudo durante um período de 10 anos, a palavra bissexual não expressou verdadeiramente a natureza versátil de sua sexualidade. Diamond pede "uma compreensão ampliada da sexualidade do mesmo sexo".[29]
Diamond, ao revisar pesquisas sobre identidades sexuais de mulheres lésbicas e bissexuais, afirmou que os estudos encontram "mudança e fluidez na sexualidade entre pessoas do mesmo sexo que contradizem os modelos convencionais de orientação sexual como uma característica fixa e de desenvolvimento precoce precoce".[30] Ela sugeriu que a orientação sexual é um fenômeno mais conectado à sexualidade não-heterossexual feminina, afirmando", enquanto a orientação sexual nos homens parece funcionar como uma 'bússola' erótica estável, canalizando de maneira confiável a excitação e a motivação sexual para um ou outro gênero, a orientação sexual nas mulheres não parece funcionar dessa maneira... Como resultado desses fenômenos, a sexualidade do mesmo sexo das mulheres se expressa diferentemente da sexualidade do mesmo sexo dos homens em todas as fases do curso da vida."[31]
Biologia e estabilidade
A terapia de conversão (tentativas de mudar a orientação sexual) raramente é bem-sucedida. Na revisão de Maccio (2011) sobre as tentativas de terapia de reorientação sexual, ela lista dois estudos que afirmam ter convertido com sucesso gays e lésbicas em heterossexuais e quatro que demonstram o contrário. Ela procurou resolver o debate usando uma amostra que não foi recrutada de organizações religiosas. O estudo consistiu em 37 ex-participantes da terapia de conversão (62,2% eram do sexo masculino) de várias origens culturais e religiosas que, atualmente ou anteriormente se identificaram como lésbicas, gays ou bissexuais. Os resultados indicaram que não houve mudanças estatisticamente significativas na orientação sexual do pré para o pós-tratamento. Nas sessões de acompanhamento, as poucas mudanças na orientação sexual que ocorreram após a terapia não duraram. Este estudo é um suporte à origem biológica da orientação sexual, mas a população amostral em grande parte masculina confunde os resultados.[32]
Outro apoio à origem biológica da orientação sexual é que o comportamento atípico de gênero na infância (ou seja, um menino brincando com bonecas) parece prever a homossexualidade na idade adulta (ver não-conformidade de gênero na infância). Um estudo longitudinal de Drummond et al. (2008) analisaram meninas com disforia de gênero (um exemplo significativo de comportamento atípico de gênero) e descobriram que a maioria dessas meninas cresceu para se identificar como bissexual ou lésbica.[33] Muitos estudos retrospectivos que analisam o comportamento infantil são criticados por possíveis erros de memória;[34] então um estudo de Rieger, Linsenmeier, Gygax e Bailey (2008) usou vídeos caseiros para investigar a relação entre comportamentos infantis e orientação sexual de adultos. Os resultados deste estudo apoiam a causa biológica, mas também é considerado um entendimento de como as suposições culturais sobre a sexualidade podem afetar a formação da identidade sexual.[35]
Há fortes evidências de uma relação entre ordem de nascimento fraterna e orientação sexual masculina, e foram realizadas pesquisas biológicas para investigar potenciais determinantes biológicos da orientação sexual em homens e mulheres. Uma teoria é a teoria da razão do segundo para o quarto dedo (2D: 4D). Alguns estudos descobriram que mulheres heterossexuais tinham proporções 2D: 4D mais altas do que mulheres lésbicas, mas a diferença não foi encontrada entre homens heterossexuais e gays.[36] Um estudo descobriu que homens gays têm, em média, estruturas pélvicas que mais se assemelham às das mulheres.[37] Da mesma forma, um estudo mostrou que homens homossexuais têm um núcleo sexualmente dimórfico no hipotálamo anterior, que é do tamanho de mulheres.[38] Estudos de gêmeos e familiares foram realizados na tentativa de decifrar o gene responsável pela determinação da orientação sexual, mas não tiveram êxito.[39] Embora algumas pesquisas biológicas tenham resultados interessantes, uma revisão crítica de Mutanski, Chivers e Bailey (2002) lista muitos problemas metodológicos com essas pesquisas sobre orientação sexual. A grande maioria é feita apenas com homens e adultos, muitos usam medidas problemáticas de orientação sexual e os resultados não foram replicáveis.
Mudanças na sexualidade
Bissexualidade como uma fase transitória
A bissexualidade como uma fase de transição no caminho para se identificar como lésbica ou gay exclusivamente também foi estudada. Em um estudo longitudinal em larga escala, os participantes que se identificaram como bissexuais em um determinado momento tiveram uma probabilidade especialmente maior de mudar a identidade da orientação sexual ao longo dos seis anos de estudo.[14] Um segundo estudo longitudinal encontrou resultados conflitantes. Se a bissexualidade é uma fase de transição, à medida que as pessoas envelhecem, o número de identificações como bissexuais deve diminuir. Nos 10 anos deste estudo (usando uma amostra apenas para mulheres), o número total de indivíduos que se identificaram como bissexuais permaneceu relativamente constante (oscilando entre 50-60%), sugerindo que a bissexualidade é uma terceira orientação, distinta da homossexualidade e heterossexualidade e pode ser estável.[40] Um terceiro estudo longitudinal de Kinnish, Strassberg e Turner (2005) apoia esta teoria. Enquanto diferenças sexuais na estabilidade da orientação sexual foram encontradas para heterossexuais e gays / lésbicas, nenhuma diferença sexual foi encontrada para homens e mulheres bissexuais.[41]
A bissexualidade permanece "subteorizada e subinvestigada".[42]
Dados demográficos
Um estudo de Steven E. Mock e Richard P. Eibach, de 2011, mostra que 2% dos 2.560 participantes adultos incluídos na Pesquisa Nacional de Desenvolvimento da Meia-Idade nos Estados Unidos relataram alterações nas identidades de orientação sexual após um período de 10 anos: 0,78% de homens e mulheres. 1,36% das mulheres que se identificaram como heterossexuais no início do período de 10 anos, bem como 63,6% das lésbicas, 64,7% das mulheres bissexuais, 9,52% dos homens gays e 47% dos homens bissexuais. Segundo o estudo, "esse padrão era consistente com a hipótese de que a heterossexualidade é uma identidade de orientação sexual mais estável, talvez por causa de seu status normativo" . No entanto, a identidade homossexual masculina, embora menos estável que a identidade heterossexual, foi relativamente estável em comparação com as outras identidades minoritárias sexuais ". Tendo apenas adultos incluídos no grupo examinado, eles não encontraram as diferenças de fluidez afetadas pela idade dos participantes. No entanto, eles afirmaram que "a pesquisa sobre estabilidade e mudança de atitude sugere que a maioria das mudanças ocorre na adolescência e na idade adulta jovem (Alwin e Krosnick, 1991; Krosnick e Alwin, 1989), o que poderia explicar o impacto reduzido da idade após esse ponto".[43]
Homens versus mulheres
Pesquisas geralmente indicam que a sexualidade feminina é mais fluida que a sexualidade masculina.[44] Em uma revisão seminal da literatura sobre orientação sexual, estimulada pelas descobertas de que a revolução sexual da década de 1970 afetou mais a sexualidade feminina do que a sexualidade masculina, pesquisa de Baumeister et al. indicaram que, quando comparados aos homens, as mulheres têm menor concordância entre atitudes e comportamentos sexuais, e os fatores socioculturais afetam a sexualidade feminina em maior grau; também descobriu que a mudança pessoal na sexualidade é mais comum entre as mulheres do que entre os homens.[45] A sexualidade feminina (lésbica e hétera) muda significativamente mais do que os homens nas medidas dimensionais e categóricas da orientação sexual.[41] Além disso, a maioria das mulheres homossexuais que anteriormente se identificaram como uma orientação sexual diferente identificou-se como heterossexual; enquanto que para os homens, a maioria anteriormente identificada como bissexual, acredita os autores, apoia a ideia de maior fluidez na sexualidade feminina. As mulheres também relatam ter se identificado com mais de uma orientação sexual, mais frequentemente do que os homens e são encontradas com níveis mais altos de mobilidade da orientação sexual. As mulheres também relatam ser bissexuais ou inseguras de sua sexualidade com mais frequência do que os homens, que mais comumente relatam ser exclusivamente gays ou heterossexuais.[46] Durante um período de seis anos, também foi constatado que as mulheres exibem mais mudanças na identidade da orientação sexual e eram mais propensas a definir sua orientação sexual com termos não exclusivos.[14]
A visão social construtivista sugere que o desejo sexual é um produto de processos culturais e psicossociais[47] e que homens e mulheres são socializados de maneira diferente. Essa diferença na socialização pode explicar as diferenças no desejo sexual e na estabilidade da orientação sexual. A sexualidade masculina é centrada em fatores físicos, enquanto a sexualidade feminina é centrada em fatores socioculturais,[45] tornando a sexualidade feminina inerentemente mais aberta à mudança. O maior efeito sobre a sexualidade feminina na revolução sexual da década de 1970 mostra que as mudanças na identidade da orientação sexual podem ser devidas a uma maior exposição a fatores moderadores (como a mídia).[48] Na cultura ocidental, também se espera que as mulheres sejam mais expressivas emocionalmente e íntimas em relação a homens e mulheres. Essa socialização é uma causa plausível de maior fluidez sexual feminina.[49] Não se sabe se a sexualidade feminina é naturalmente mais fluida e, portanto, as mudanças de fatores sociais ou fatores sociais tornam a sexualidade feminina menos estável.
Uma hipótese da psicologia evolutiva propõe que a bissexualidade assegura que as mulheres tenham recursos seguros e consistentes para seus filhos, promovendo a obtenção de contribuições maternas de outras mulheres. De acordo com essa visão, as mulheres são capazes de formar laços românticos com ambos os sexos e a fluidez sexual pode ser explicada como uma estratégia reprodutiva que garante a sobrevivência da prole.[50]
Um estudo longitudinal concluiu que a estabilidade da orientação sexual era mais comum que a mudança.[14] As diferenças de gênero na estabilidade da orientação sexual podem variar de acordo com o subgrupo e podem estar relacionadas a diferenças individuais mais do que as características do gênero.[46]
Jovens (de 14 a 21 anos)
Um estudo que comparou a estabilidade da identidade da orientação sexual dos jovens entre os sexos encontrou resultados opostos à maioria dos resultados feitos com amostras de adultos. O estudo comparou a orientação sexual não-heterossexual de homens e mulheres ao longo de um ano e concluiu que jovens do sexo feminino eram mais propensas a relatar identidades sexuais consistentes do que os homens.[51] O estudo foi realizado em um único ano. É necessária mais pesquisa por períodos mais longos para chegar a conclusões que comparem a estabilidade da sexualidade na juventude feminina e masculina.
Parece que a juventude ocorre quando a maioria das mudanças na identidade da orientação sexual ocorre no sexo feminino. Um estudo de 10 anos comparou a orientação sexual medida em quatro vezes durante o estudo. A maior mudança foi encontrada entre a primeira (tomada aos 18 anos) e a segunda (tomada aos 20 anos), que foi a única faixa de tempo que caiu durante a adolescência.[40]
Um estudo de base populacional realizado durante 6 anos constatou que participantes do sexo masculino e feminino não heterossexuais (gays/lésbicas/bissexuais) eram mais propensos a mudar a identidade da orientação sexual do que os participantes heterossexuais.[52] Um estudo de um ano descobriu que a identidade sexual era mais estável para os jovens gays e lésbicas quando comparados aos participantes bissexuais.[51] Esses estudos indicam que os jovens bissexuais têm a sexualidade mais fluida. Os jovens gays e lésbicas têm uma identidade de orientação sexual mais consistente quando comparados aos jovens bissexuais, mas quando comparados aos jovens heterossexuais, sua sexualidade é mais fluida.
O processo de integração de identidade que os indivíduos passam durante a adolescência parece estar associado a mudanças na identidade sexual; os adolescentes que pontuam mais alto nas medidas de integração de identidade são mais consistentes em sua orientação sexual (8). Os jovens bissexuais parecem levar mais tempo para formar suas identidades sexuais do que os jovens consistentemente homossexuais ou heterossexuais[51] modo que a bissexualidade pode ser vista como uma fase de transição durante a adolescência. Rosario et al. (2006) concluem que "a aceitação, o comprometimento e a integração de uma identidade gay / lésbica é um processo de desenvolvimento contínuo que, para muitos jovens, pode se estender até a adolescência e além". A fluidez da sexualidade durante a adolescência pode não refletir mudanças absolutas na orientação sexual, mas sim um processo de mudança. Embora os resultados de estudos interessados na estabilidade da sexualidade juvenil sejam interessantes, eles não devem ser comparados aos que estudam a sexualidade adulta.
Sabra L. Katz-Wise e Janet S. Hide relatam artigo publicado em 2014 em "Arquivos de Comportamento Sexual" de seu estudo sobre 188 mulheres e homens adultos jovens nos Estados Unidos com uma orientação para o mesmo sexo, com idades entre 18 e 26 anos. Nessa coorte, a fluidez sexual nas atrações foi relatada por 63% das mulheres e 50% dos homens, sendo 48% dessas mulheres e 34% desses homens relatando fluidez na identidade da orientação sexual.[53]
Transgêneros
Até o momento, há pouca ou nenhuma pesquisa sobre a estabilidade da identidade da orientação sexual na comunidade transgênero. Eles podem ser estudados independentemente daqueles que se identificam com papéis de gênero culturalmente convencionais. Alguns indivíduos transgêneros não se identificam consistentemente como um gênero e alguns consideram inadequados os rótulos de orientação sexual convencional. Desenvolvimentos em pesquisas sugerem que indivíduos transexuais provavelmente classificarão sua orientação sexual de maneiras não binárias, usando suas experiências e sentimentos sexuais passados e presentes para representar sua orientação sexual, em vez de usar aquelas baseadas em descrições tradicionais de sexo ou gênero.[54]
Debate cultural
A exploração sobre fluidez sexual iniciada por Lisa M. Diamond apresentou um desafio cultural para a comunidade LGBT; isso ocorre porque, embora os pesquisadores geralmente enfatizem que as mudanças na orientação sexual são improváveis, apesar das tentativas de terapia de conversão, a identidade sexual pode mudar com o tempo. Essa orientação sexual nem sempre é estável desafia as opiniões de muitos na comunidade LGBT, que acreditam que a orientação sexual é fixa e imutável. Por exemplo, a atenção do público e da mídia após a estreia de Ruby Rose em Orange Is the New Black envolveu mulheres heterossexuais em grande parte comentando sua aparência física,[55][56] e afirmando que elas "iriam se apaixonar por ela"; isso resultou em um novo discurso aberto sobre fluidez sexual e se a orientação sexual pode ou não mudar, com alguns meios de comunicação, incluindo críticos de lésbicas, expressando desaprovação em relação às mulheres heterossexuais declarando que estariam romântica ou sexualmente interessadas em Rose.[57]
Alguns pesquisadores de fluidez sexual são membros da comunidade LGBT. Diamond é lésbica e Ritch C. Savin-Williams é gay.[58] Pessoas com fluidez sexual ou uma mudança na identidade de orientação sexual podem aparecer. Esse foi o caso de Chirlane McCray, esposa de Bill de Blasio, que falou sobre o casamento com um homem 34 anos depois de escrever um ensaio de 1979 sobre como sair como lésbica. Ela afirmou que "é mais do que apenas um rótulo" e que de repente não se considerava sexualmente atraída por homens, mas sim de Blasio.[59][60]
Há algum nível de debate cultural sobre as questões de como (e se) a fluidez "funciona" entre os homens[61] e as questões de flutuações nas atrações e excitação nos bissexuais masculinos.[62]
Referências
- Bailey, J. Michael; Vasey, Paul L.; Diamond, Lisa M.; Breedlove, S. Marc; Vilain, Eric; Epprecht, Marc (25 de abril de 2016). «Sexual Orientation, Controversy, and Science». Psychological Science in the Public Interest (2): 45–101. ISSN 1529-1006. doi:10.1177/1529100616637616. Consultado em 18 de agosto de 2021
- «Guidelines for Psychological Practice With Lesbian, Gay, and Bisexual Clients» (PDF). American Psychological Association. American Psychologist [en]. 67: 10–42. 2012. PMID 21875169. doi:10.1037/a0024659.
Therapeutic efforts to change sexual orientation have increased and become more visible in recent years (Beckstead & Morrow, 2004). Therapeutic interventions intended to change, modify, or manage unwanted nonheterosexual orientations are referred to as “sexual orientation change efforts” (SOCE; APA, 2009b). [...] Reviews of the literature, spanning several decades, have consistently found that efforts to change sexual orientation were ineffective (APA, 2009b; Drescher, 2001; Haldeman, 1994; T. F. Murphy, 1992).
- «Royal College of Psychiatrists' Position Statement on Sexual Orientation» (PDF). Royal College of Psychiatrists.
The College believes strongly in evidence-based treatment. There is no sound scientific evidence that sexual orientation can be changed. Systematic reviews carried out by both the APA and Serovich et al suggest that studies which have shown conversion therapies to be successful are seriously methodologically flawed.
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The mechanisms for the development of a particular sexual orientation remain unclear, but the current literature and most scholars in the field state that one’s sexual orientation is not a choice; that is, individuals do not choose to be homosexual or heterosexual. A variety of theories about the influences on sexual orientation have been proposed. Sexual orientation probably is not determined by any one factor but by a combination of genetic, hormonal, and environmental influences.
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The reason some individuals develop a gay sexual identity has not been definitively established – nor do we yet understand the development of heterosexuality. The American Psychological Association (APA) takes the position that a variety of factors impact a person's sexuality. The most recent literature from the APA says that sexual orientation is not a choice that can be changed at will, and that sexual orientation is most likely the result of a complex interaction of environmental, cognitive and biological factors...is shaped at an early age...[and evidence suggests] biological, including genetic or inborn hormonal factors, play a significant role in a person's sexuality (American Psychological Association 2010).
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