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Você ama intensamente ou evita se envolver? A resposta pode estar no seu estilo de apego
Psicóloga Danielle Vieira explica como os padrões construídos ao longo da vida influenciam a forma de criar vínculos e lidar com a intimidade
Por O Globo — Rio de Janeiro
10/07/2026 02h30 Atualizado há 2 dias
Em um momento em que conversas sobre saúde mental e relações afetivas ocupam cada vez mais espaço nas redes sociais, conceitos da psicologia passaram a fazer parte do vocabulário cotidiano. Entre eles está a Teoria do Apego, desenvolvida pelo psiquiatra e psicanalista britânico John Bowlby, que ajuda a compreender por que algumas pessoas lidam com facilidade com a intimidade, enquanto outras convivem com medo do abandono, evitam vínculos profundos ou alternam entre aproximação e distanciamento.
Para a psicóloga Danielle Vieira, autora do livro "Amor Moderno: o nosso mundo evitativo", esses padrões não determinam o futuro de uma relação, mas ajudam a explicar comportamentos que costumam se repetir ao longo da vida amorosa. Segundo a especialista, conhecer o próprio estilo de apego pode ser um primeiro passo para construir relações mais equilibradas e conscientes.
"A forma como nos vinculamos na infância serve de referência para muitos dos nossos relacionamentos na vida adulta. Isso não significa que estamos condenados a repetir os mesmos padrões, mas que compreender esses mecanismos pode favorecer mudanças importantes", explica.
De acordo com a psicóloga, existem quatro estilos principais de apego. Embora apresentem características distintas, eles não funcionam como categorias rígidas. Uma mesma pessoa pode apresentar traços de mais de um estilo, especialmente em momentos de estresse, conflitos ou mudanças importantes.
Apego ansioso
Pessoas com apego ansioso costumam buscar constante confirmação de afeto e têm medo intenso de serem abandonadas. Diante de incertezas na relação, é comum que interpretem situações de forma mais negativa, aumentando a necessidade de proximidade e validação.
Como estratégia para interromper esse ciclo, Danielle sugere fazer uma pausa antes de reagir emocionalmente. "Vale se perguntar se existem evidências concretas para aquele medo ou se ele está sendo alimentado apenas pela insegurança", orienta.
Apego evitativo
Quem apresenta o estilo evitativo tende a valorizar a independência e a autonomia emocional. Embora deseje se relacionar, costuma evitar demonstrações de vulnerabilidade e tem dificuldade para pedir ajuda ou compartilhar sentimentos.
Para desenvolver vínculos mais saudáveis, a psicóloga recomenda pequenos exercícios de abertura emocional, como dividir um sentimento ou preocupação com alguém de confiança. Aos poucos, esse movimento ajuda a tornar a intimidade menos ameaçadora.
Apego desorganizado
Nesse padrão, o desejo de proximidade convive com o medo de sofrer. Como consequência, a pessoa pode alternar momentos de intensa aproximação com períodos de afastamento, tornando os relacionamentos instáveis.
Segundo Danielle, reconhecer a emoção antes de agir pode reduzir decisões impulsivas. Nomear o que está sentindo e esperar alguns minutos antes de responder a uma situação de conflito são estratégias que ajudam a interromper reações automáticas.
Apego seguro
Considerado o padrão mais saudável, o apego seguro permite que a pessoa estabeleça relações baseadas em confiança, diálogo e respeito aos próprios limites e aos do parceiro. Isso não significa ausência de conflitos, mas maior capacidade para lidar com eles de forma construtiva.
Para fortalecer esse estilo, Danielle recomenda manter uma comunicação clara sobre sentimentos, expectativas e necessidades, além de construir acordos que respeitem ambos os lados da relação.
Apesar de os estilos de apego influenciarem a forma como cada pessoa vive seus relacionamentos, a psicóloga destaca que eles não são permanentes. Novas experiências afetivas, o amadurecimento e, quando necessário, o acompanhamento psicológico podem contribuir para modificar padrões construídos ao longo da vida.
"Não devemos enxergar o apego como um rótulo, mas como uma ferramenta de autoconhecimento. Compreender como nos relacionamos é um passo importante para construir vínculos mais seguros, saudáveis e satisfatórios", conclui.
Fonte:https://oglobo.globo.com/ela/noticia/2026/07/10/voce-ama-intensamente-ou-evita-se-envolver-a-resposta-pode-estar-no-seu-estilo-de-apego.ghtml
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