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Ser ativa ou passiva, eis a questão! No sexo entre mulheres, isso realmente importa?
Mulheres sáficas lésbicas e bissexuais contam o que elas pensam sobre a divisão de papéis “ativa”, “passiva” e “relativa” durante o sexo: “Esses papéis não importam depois que todo mundo goza”
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, em colaboração para Marie Claire — São Paulo (SP)
14/04/2026 08h17 Atualizado há 4 dias
Sabemos que o sexo não é único e existem dinâmicas diferentes para cada pessoa, mas quando falamos sobre mulheres sáficas (lésbicas e bissexuais) essa afirmação ganha ainda mais nuances. Para a jornalista Camila Marins, 41 anos, a lógica de “ativa” ou “passiva” não faz sentido por reproduzir uma binariedade patriarcal que tenta separar (e identificar) o mundo entre homem e mulher. “Me identifico como sapatão e mulher negra que ama mulheres, e entendo o prazer como um diálogo. A heteronormatividade é muito estática e dentro de uma relação entre mulheres existe muito mais fluidez no desejo”, reflete.
Ainda assim, persiste no senso comum a ideia de que o sexo entre mulheres deveria seguir uma lógica em que uma pessoa domina e outra se submete. É a partir disso que surgem rótulos como “ativa”, “passiva”, ou “relativa” — muito mais comuns em relações entre homens, por exemplo. Mas dentro da vivência sáfica essa visão pode não refletir a realidade em todos os casos.
Para a professora Natália*, 28 anos, que é bissexual, esses termos não dão conta da complexidade das suas experiências. “Existem definições que considero mais importantes, do tipo: Curte BDSM? Gosta de submissão ou dominação? É voyeur ou exibicionista? É muito mais rico conhecer essas preferências do que apenas saber se ela é ativa ou passiva.”
O que significa ser “ativa”, “passiva” ou “relativa”?
De forma geral, a pessoa “ativa” é quem conduz e estimula durante o sexo, “passiva” é quem recebe as carícias (seja no sexo oral ou com penetração), e “relativa” é quem transita entre os dois lados. Historicamente, dentro da comunidade sáfica, outras categorias já foram usadas para expressar identidade e pertencimento — como os termos butch e femme.
Contextualizando, butch era um termo usado para descrever mulheres que performam mais masculinidade (hoje, é comum que se identifiquem como desfem), enquanto femme se refere às que expressam papéis considerados mais femininos e alinhados ao que é socialmente esperado das mulheres. Além da aparência, esses termos também dizem respeito ao posicionamento delas dentro e fora da comunidade.
Butch e femme ganharam força especialmente entre as décadas de 1940 e 1960 em bares lésbicos nos Estados Unidos, como mapearam as historiadoras Elizabeth Lapovsky Kennedy e Madeline Davis no livro Boots of Leather, Slippers of Gold (1993). A associação direta dessas identidades com os papéis de “ativa” e “passiva” surgiu depois, influenciada por padrões heteronormativos, como aponta a leitura da ativista Joan Nestle na coletânea The Persistent Desire (1992). Na prática, essa tentativa de organizar o desejo em papéis fixos pode não gerar pertencimento, mas servir como barreira para algumas mulheres.
“Eu não podia nem encostar nela”
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Para Jussara Nascimento, 29, que é bissexual, o problema não são os rótulos em si, mas as barreiras que vêm junto com eles. Ela lembra de um relacionamento em que não existia nenhum espaço para a troca no sexo. “Eu não podia nem encostar nela. Queria experimentar outras coisas, mas ela era muito limitada. Foi frustrante.” Natália viveu uma situação parecida. “Já me relacionei com uma mulher que só queria ser ativa. Com muita conversa isso foi mudando, mas mostra como esses papéis podem travar a experiência.”
Um outro ponto negativo é quando essa pressão vem de dentro da própria comunidade. “Se você é mais feminina, esperam que seja passiva. Por performar mais feminilidade sempre me colocavam no lugar de quem recebe. Acho que esses estereótipos são ultrapassados”, aponta Jussara. A jornalista Rose Rossi, 37, que performa mais masculinidade, vive o outro lado: “Acaba sendo até uma piada o fato de eu ser uma desfem que também gosta de ser ‘passiva’. Para ela, o equilíbrio no sexo entre mulheres é quando as duas pensam no prazer uma da outra — o que, para ela, faz falta no sexo hétero.
“Eu não podia nem encostar nela”
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Para Jussara Nascimento, 29, que é bissexual, o problema não são os rótulos em si, mas as barreiras que vêm junto com eles. Ela lembra de um relacionamento em que não existia nenhum espaço para a troca no sexo. “Eu não podia nem encostar nela. Queria experimentar outras coisas, mas ela era muito limitada. Foi frustrante.” Natália viveu uma situação parecida. “Já me relacionei com uma mulher que só queria ser ativa. Com muita conversa isso foi mudando, mas mostra como esses papéis podem travar a experiência.”
Um outro ponto negativo é quando essa pressão vem de dentro da própria comunidade. “Se você é mais feminina, esperam que seja passiva. Por performar mais feminilidade sempre me colocavam no lugar de quem recebe. Acho que esses estereótipos são ultrapassados”, aponta Jussara. A jornalista Rose Rossi, 37, que performa mais masculinidade, vive o outro lado: “Acaba sendo até uma piada o fato de eu ser uma desfem que também gosta de ser ‘passiva’. Para ela, o equilíbrio no sexo entre mulheres é quando as duas pensam no prazer uma da outra — o que, para ela, faz falta no sexo hétero.
Fonte:https://revistamarieclaire.globo.com/sexo/noticia/2026/04/ser-ativa-ou-passiva-no-sexo-safico-entre-mulheres-isso-realmente-importa.ghtml
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