MULHERES RELATAM PRÁTICA DE "PEGGING", A INVERSÃO DE PAPÉIS NO SEXO: "VER MEU NAMORADO SENTAR PARA MIM É EXCITANTE"
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Mulheres relatam prática do “pegging”, a inversão
de papéis no sexo: “Ver meu namorado sentar para mim é excitante”
Relatos de
mulheres reais que curtem penetrar as parcerias. Elas contam como o pegging
pode intensificar o prazer, fortalecer a confiança e ampliar a forma de viver a
sexualidade
Por
, em colaboração para Marie Claire — São Paulo (SP)
17/04/2026 08h16 Atualizado há 4 dias
As
definições de dominação no sexo foram atualizadas! A forma como você mostra seu
poder, controle e prazer na cama pode ter uma virada. É que hoje, a conversa
sobre mulheres assumindo o comando na cama e dominando homens está cada vez
mais aberta, ainda mais quando se fala de inversão de papéis — ou pegging, nome usado para a prática de penetrar a parceria com um
dildo preso a uma cinta. Para muitas mulheres, experimentar o pegging com seus parceiros e parceiras pode ser uma forma de
explorar novas camadas de prazer e se reconectar com um lado mais “ativo”.
É também uma oportunidade para que homens se permitam estar mais vulneráveis, indo além do que o que é tradicionalmente imposto pelos papéis de gênero — o que, cá entre nós, pode ser muito sexy. Mulheres ouvidas por Marie Claire contam que a inversão — como a prática também é chamada — significou para elas não só o aumento do repertório sexual, mas também mais intimidade e conexão na relação.
O que é pegging?
Em definições gerais, o pegging é a prática de sexo anal em que a mulher usa um strap-on (cinta, em tradução livre, e cintaralho, como foi aportuguesada) com um dildo para penetrar a sua parceria — que pode ser um homem cis, trans, hétero, bi, pan, entre outros gêneros e orientações sexuais. O termo ganhou popularidade em 2001 na coluna “Savage Love”, do escritor norte-americano Dan Savage. As preliminares do pegging podem incluir o famoso fio terra, a massagens com os dedos no ânus, um caprichado beijo grego e o uso de plugs anais que ajudam a aumentar o conforto, o relaxamento e a excitação antes da penetração.
A prática muda as dinâmicas de poder no sexo e tende a ser muito prazerosa tanto para quem recebe a penetração quanto para quem penetra. No caso de quem tem próstata, por exemplo, o estímulo pode gerar sensações intensas e orgasmos diferentes dos de costume. Já para muitas mulheres, o prazer pode estar tanto no controle da situação por conduzir o ritmo e as reações da parceria quanto nos estímulos físicos por um dildo com duas pontas — conhecido como strapless.
Um levantamento feito pelo aplicativo de relacionamento Feeld em 2024 mostra que o pegging foi o desejo sexual que mais cresceu entre as mulheres heterossexuais, com um aumento de 67% em relação ao ano anterior. Já em 2025, a plataforma apontou um crescimento de 200% no interesse por pegging entre homens heterossexuais.
Além do prazer físico, a confiança e consentimento também podem ser muito excitantes. Saber que o parceiro te propôs ou topou realizar uma fantasia sua pode transformar uma simples transa em um momento muito especial para os dois.
Mulheres que curtem pegging contam suas experiências
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“Me sinto livre e poderosa”
“O pegging surgiu na minha vida a partir da curiosidade que eu tinha em querer explorar o prazer masculino de maneiras diferentes. O que mais amo é o prazer que posso proporcionar a outra pessoa. Ver como o corpo do homem reage é delicioso. A primeira vez que eu senti meu parceiro gozar somente com pegging foi tão maravilhosa que cheguei ao orgasmo junto dele. Costumo utilizar o strap-on clássico de couro e o de ponta dupla, com dildo mais realista e alguns diferentes, como os com textura de tentáculos. Pratico sempre que posso, de três a quatro vezes na semana com um parceiro fixo. Eu me sinto muito mais livre e poderosa. Não tinha noção do quanto eu ia curtir estar no comando até começar a viver isso. Foi uma descoberta e tanto. Hoje me sinto muito mais segura e pronta para explorar outras formas de sentir prazer”, Lilith*, confeiteira, 30 anos.
“Depois do pegging, não consigo me envolver com uma pessoa que não tenha a mente aberta”
“Sempre gostei de explorar coisas novas ou fora do padrão. Antes da primeira vez, já imaginava como seria se eu tivesse um pênis e ficava excitada demais com a ideia de tomar as rédeas. O que eu mais gosto no pegging são as preliminares, a parte da montagem dos acessórios e o momento em que eu domino o homem na relação. É um misto de excitação com curiosidade e descoberta do corpo da pessoa. Nos três relacionamentos que tive, fui eu quem os iniciei. Gosto muito de usar um cintaralho de couro, e tenho um que centraliza bem o pênis de borracha de uma maneira que acaba massageando o meu clitóris. A vez que mais me marcou foi uma em que estava em um apartamento de frente pra praia, com vista pro mar. Foi uma sensação incrível. Atualmente estou solteira, mas espero que meu próximo parceiro aceite também. Depois que comecei a praticar o pegging me tornei mais seletiva, não consigo me envolver com uma pessoa que não tenha a mente aberta como a minha”, Tânia Carla, podóloga, 48 anos.
“Me sinto mais ativa e no comando. Isso muda minha energia no sexo”
“O que mais me atrai na inversão é justamente essa mudança de perspectiva. Existe uma troca de controle que é muito intensa, mas ao mesmo tempo baseada na confiança. Eu me sinto mais ativa e no comando, e isso muda completamente a energia do sexo — fica mais provocante e conectado, porque tem uma entrega muito grande dos dois. A primeira vez que fizemos pegging foi o momento mais excitante pra mim, porque vi o quão entregue, seguro e com tesão a gente estava. Não acontece o tempo todo, mas é algo que realmente gosto e valorizo quando acontece. Sinto que muda muito a perspectiva que tenho de mim mesma no sexo. Me faz enxergar minha sexualidade de forma mais ampla, mais livre. Me sinto mais confiante, mais aberta a experimentar e também mais consciente do meu papel no prazer do outro. É como se ampliasse as possibilidades de quem eu posso ser naquele momento”, Dhara Gonçalves, criadora de conteúdo adulto, 25 anos.
“Foi como redescobrir o sexo”
“Depois de muitos papos sobre desejos e coisas novas que queríamos experimentar, eu e meu parceiro resolvemos tentar. Foi meio como redescobrir o sexo. Porque era tudo muito novo para nós dois. Eu fui guiando de um jeito que nunca tinha guiado antes, porque é muito diferente você estar por cima de alguém e literalmente penetrar a pessoa com algo que não é seu corpo. Mas ao mesmo tempo em que eu estava morrendo de tesão em viver aquele momento, ficava preocupada se estava confortável para ele e ia ajustando da melhor forma. O que mais me marcou nesse momento foi a confiança. Pensar que ele confiou em mim para dar esse prazer a ele é muito forte, não é qualquer nível de intimidade. Eu também me senti segura, porque sei que, se em qualquer momento ele dissesse que não estava bem, eu pararia tudo. Além disso, tem uma excitação que vem dessa vulnerabilidade, de ver ele exposto, e de eu ser a pessoa ali com o controle. É algo que mexe muito comigo”, Duda*, publicitária, 35 anos.
“Ter a visão do meu parceiro sentando em mim é muito excitante”
“O que eu mais gosto no pegging é a sensação de liberdade. Existe uma inversão de poder, sim, mas ao mesmo tempo traz igualdade também, porque os dois podem ocupar esse lugar. É um momento muito íntimo, de muita confiança e carinho. Muitas vezes a mulher não tem experiência com a penetração e condução do sexo. Para mim vem a sensação de dar prazer, de fazer algo que exige conexão e só aumenta o tesão. Uma situação que foi muito excitante pra mim foi ter o parceiro por cima, sentando. Ter essa visão, poder ver tudo acontecendo, tocar mais no corpo dele, masturbar… foi uma das posições mais excitantes. Não faço o pegging com brinquedo com tanta frequência, mas a penetração com o dedo, pelo menos umas três vezes por mês. A prática altera muito a forma como eu me vejo no sexo. Porque eu não tenho um pênis, então estou ali manuseando algo, totalmente focada no prazer do outro e no meu fetiche. Eu gosto muito”, Camilla Santos, jornalista, 28 anos.
“Na inversão, o poder não é tirado: ele é entregue”
“Meu primeiro contato com o pegging foi no início da minha trajetória como criadora de conteúdo. Surgiu com certa naturalidade e bastante curiosidade, e acabou acontecendo com um parceiro que era aberto a novas experiências. No começo foi uma sensação fora do comum, mas ao mesmo tempo muito leve, me diverti. Acho que o mais importante é estar com alguém que também esteja confortável e disposto, porque no fim tudo se resume à conexão e à abertura entre os dois. O que mais me atrai na inversão de papéis é a consciência que ela exige. Não é nada automático, e sim escolhido, conduzido e sentido. É exatamente nesse espaço que o poder se torna real. Nas minhas sessões como Dominatrix, essa dinâmica aparece com muita clareza. A inversão não é só estética, ela é principalmente psicológica. Conduzo, observo, leio cada reação, e isso cria uma troca muito mais profunda do que qualquer roteiro tradicional permitiria. O mais interessante é que o poder ali não é imposto, ele é oferecido. Existe um acordo silencioso, uma entrega que transforma completamente a experiência. E quando isso acontece, deixa de ser apenas uma prática e vira uma conexão muito intensa, quase hipnótica! Na inversão, o poder não é tirado, é entregue. Saber conduzir isso é o que transforma tudo”, Shaday, criadora de conteúdo adulto.
Fonte:https://revistamarieclaire.globo.com/sexo/noticia/2026/04/relatos-mulheres-pegging-inversao-de-papeis-sexo.ghtml?
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